Apesar do curto tempo em que ficaram abertas as inscrições para o Caleidoscópio, mais de 80 mulheres se interessaram em aprofundar a conversa sobre religiões, feminismos e laicidade do Estado. Pensando, entretanto no público que ficou de fora e não poderia acompanhar três dias seguidos de discussões, o SOS Corpo apresenta aqui a programação aberta ao público.
💥CORPOS LIVRES, ESTADO LAICO💥
Insurgências contra o fascismo e o fundamentalismo

Juntamos uma teóloga, uma pastora presbiteriana e uma Iyabassê, todas feministas, óbvio, para conversar conosco sobre a tomada do estado pela religião, sobre quão livres ainda somos! Um papo sério que vai fazer a gente pensar como esse fundamentalismo religioso tem ganhado corpo e voz na sociedade.
Convidadas:
💥 Vera Baroni | Yábassê do terreiro Ylê Obá Aganjú Okoloiá e fundadora da Rede de Mulheres de Terreiro;
💥 Sonia Mota | Pastora presbiteriana e Diretora Executiva da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE);
💥 Ivone Gebara | Teóloga feminista e conselheira de Católicas pelo Direito de Decidir.
❌ONDE❌ MTC | Gervásio Pires, 404, Santo Antonio Boa Vista.
🔥 QUANDO🔥 Quinta, 11 de julho, das 18h30 às 21h
⚡ Feira Afro da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco
⚡ Feira de produtos artesanais do grupo Espaço Mulher, Passarinho
💥CORPOS LIVRES, ESTADO LAICO💥
Lançamento de livros

A onda conservadora é essencialmente contra o feminismo e questiona uma realidade muito palpável: a desigualdade cruel que existe entre homens e mulheres. O antifeminismo ataca a nós, mulheres, em nosso direito mais básico: autonomia sobre nossos corpos. Aliado ao discurso religioso, muitas iniciativas defendem a “vida desde a concepção” no intuito de proteger o feto em formação antes da vida e da saúde das mulheres, abusando da espiritualidade das cristãs e religiosas, semeando nelas sentimentos de culpa e medo.
No campo da política, esses os anti-direitos-das-mulheres estão se sentindo mais que vitoriosos. Legislações municipais e estaduais avançam na tentativa de reprimir o debate sobre gênero, proibindo o uso do termo em materiais escolares e salas-de-aula, com repressões e demissões à professores que se destacam por fazer bom uso do espaço em sala de aula para discutir desigualdades entre meninas e meninos. Além disso, os mercenários da fé tentam ainda barrar, através de emendas constitucionais, o acesso das mulheres à pílula do dia seguinte, os permissivos legais que possibilitam a legalidade da realização de procedimentos de aborto em mulheres que correm risco de vida e que sofreram violência sexual.
Entretanto, tais discursos e práticas políticas estão alinhados com um projeto de poder de algumas igrejas, mas não são hegemônicos entre as pessoas que professam a fé cristã. Há desacordos entre homens e mulheres que ocupam cargos de liderança religiosa a respeito do tema. O antifeminismo também não prevalece entre as mulheres que frequentam as comunidades religiosas: muitas delas integram também movimentos sociais e frentes de luta pelos direitos das mulheres.
Para discutir essas particularidade, trazemos para conversar melhor com o público a teóloga feminista e autora do artigo “Direitos Reprodutivos: quem legisla nas religiões monoteístas?” , Ivone Gebara para apresentar o livro Religião, Corporeidade e Direitos Reprodutivos – outras vozes dentro da fé cristã. Outra convidada para a conversa da noite é a socióloga Carla Batista, autora do livro Ação Feminista Em Defesa da Legalização do Aborto, no qual traça um panorama histórico da luta pela legalização do aborto. Ela explicita a dificuldade da esquerda em incorporar as leituras de raça, gênero e vivências sexuais, tal como como a direita persiste num projeto de poder que tem como base um modelo patriarcal falido para família, instituições e empresas.
Religião, corporeidade e direitos reprodutivos: outras vozes dentro da fé cristã

Essa obra tem como objetivo dar espaço para vozes marginais dentro da fé cristã que (re)pensam os direitos sexuais e reprodutivos a partir de uma contra-narrativa que diverge do senso comum cristão, seja ele católico, protestante tradicional ou seus múltiplos perfis do campo evangélico como grupos pentecostais, evangelicais e midiáticos. As abordagens serão feitas a partir das vivências de fé e militância das autoras convidadas.
Os artigos buscam dialogar sobre as interpretações feitas sobre as relações de religião e corpo da mulher; falam sobre o aborto a partir da teologia feminista; e discutem a maneira de como a fé deve ser coerente com as questões pertinentes à saúde pública das mulheres no Brasil.
Os textos apresentados se entrelaçam com a vida real de mulheres, com os cotidianos, com os rompimentos e negociações da fé.
Ação feminista em defesa da legalização do aborto

A pesquisa é historiográfica. Examinei repertórios da luta pela legalização do aborto no Brasil. Investiguei avanços e retrocessos em relação a essa questão durante os dois mandatos do presidente Lula. A dissertação teve como propósito responder a duas questões básicas: quais as principais estratégias utilizadas pelos movimentos feministas no Brasil para ampliar o diálogo sobre o tema da legalização do aborto a partir da criação da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e da realização das Conferências Nacionais de Políticas para as Mulheres? Como esses movimentos interpretavam os avanços e retrocessos formais enfrentados nesse processo recente de busca por ampliar os permissivos legais sobre o aborto, a partir desses novos espaços de diálogo com o Executivo?
Fonte: https://catarinas.info/acao-feminista-em-defesa-da-legalizacao-do-aborto-no-brasil/