“Retirar qualquer possibilidade de educação sexual na escola é um gesto de desproteção às crianças”

Em live realizada no último dia 08 de setembro pelo CNTE, a educadora do SOS Corpo, Silvia Camurça, foi uma das convidadas para debater a importância de uma educação libertadora e crítica na proteção de crianças contra a violência sexual.

Organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), e mediada por Berenice D’arc, o debate contou também com a participação da enfermeira e ex-senadora, Vanessa Grazziotin. As convidadas discutiram como os ataques à educação pública e à educação sexual protagonizada nos últimos anos de forma mais intensa por forças fundamentalistas faz parte de um profundo processo de controle de sexualidade das mulheres e das crianças, e como essa visão obscurantista na educação, representada pelo projeto Escola Sem Partido, é uma destruição dos pilares de uma educação libertadora e crítica, voltada para a cidadania. A escola tem sido, ao longo do tempo, uma fonte de informação para detectar precocemente situações de violência física, sexual e psíquica contra as crianças.

A ideia de que as mulheres são donas de seus próprios corpos e que eles não são de acesso público aos homens é conhecida na sociedade, mas não é generalizada. Isso, de acordo com Silvia Camurça, faz parte da ideologia patriarcal, um sistema de dominação e de exploração das mulheres e da sua sexualidade, que dá autoridade a dominação masculina em abusar e violentar as mulheres, meninas e crianças em geral, como uma demonstração de poder. Ter uma educação sexual nas escolas e profissionais sensíveis a identificação de possíveis violências é uma maneira segura de coibir violências cometidas contra crianças, as mais vulneráveis em situações de perigo.

“Isso tem relação com o sistema de dominação patriarcal, onde a chefia da família pelo homem, simbolicamente, ainda é vivenciada como o proprietário dos corpos de mulheres, filhas e crianças ao seu dispor. Claro que o feminismo hoje já conseguiu implantar a ideia de que os corpos das mulheres e das crianças não estão à disposição, não são de livre acesso dos homens adultos. É uma ideia que está implantada, mas ainda é muito frequente casos e diferentes formas de abusos em todas as classes sociais. Alguns mais violentos e em outros casos mais sutis, onde só profissionais conseguem identificar e que só vem a conhecimento quando as crianças estão na escola. Às vezes é muito difícil as mães verem, especialmente quando o abusador é um membro da própria família. Retirar qualquer possibilidade de educação sexual na escola é um gesto de absoluta desproteção às crianças”, relatou Silvia Camurça.

Assista o debate na íntegra no vídeo no início desta postagem.

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