Moradia para quem e quais são as condições para as mulheres pobres e negras?
A moradia, frequentemente tratada pelo senso comum imposto pela lógica neoliberal como conquista individual e como uma mercadoria, é, na realidade brasileira, uma das expressões mais profundas das desigualdades sociais. Neste artigo, Mércia Alves parte de uma perspectiva feminista crítica e antirracista para problematizar quem, de fato, tem acesso ao direito humano básico de morar com dignidade nas cidades.

A moradia, frequentemente tratada pelo senso comum imposto pela lógica neoliberal como conquista individual e como uma mercadoria, é, na realidade brasileira, uma das expressões mais profundas das desigualdades sociais. Neste artigo Mércia Alves, assistente social, educadora e pesquisadora do SOS Corpo, parte de uma perspectiva feminista crítica e antirracista para problematizar quem, de fato, tem acesso ao direito humano à moradia e sob quais condições esse direito é negado, especialmente às mulheres pobres e negras.
Dialogando com o tema da Campanha da Fraternidade de 2026, o texto amplia o debate ao afirmar que a crise habitacional não é um fenômeno isolado, mas estrutural, atravessado por relações de classe, raça e gênero que organizam o espaço urbano e determinam quem pode morar bem e quem é constantemente empurrado para a precariedade. Ao longo da análise, a autora articula reflexões que questionam a ideia imposta pela lógica da branquitude e do capitalismo de que a falta de moradia adequada resulta de escolhas individuais, evidenciando seu caráter político e coletivo.
O artigo convida à reflexão sobre o significado da moradia como direito humano e como condição fundamental para uma vida digna, instigando um posicionamento crítico diante de um modelo de cidade que exclui, adoece e violenta. É um chamado à reflexão e à ação sobre que sociedade estamos construindo e para quem ela serve.



