Memórias e Insurgências Feministas, com Amelinha Teles

Durante lançamento de seu livro na Ação Cultural Feminista do SOS Corpo, a ex-presa política e militante feminista, Amelinha Teles falou sobre a necessidade de punição para os golpistas do 8 de janeiro de 2023, da importância da memória para nos apropriarmos da História e da escrita para criar caminhos e esperança para defesa da democracia.

| Texto: Fran Ribeiro – Comunicação SOS Corpo | Fotos: Layane Santos/Elas Fotografando |

Assista acima a participação de Amelinha Teles na Ação Cultural Feminista do SOS Corpo.

Dia 26 de março de 2025 entrou para a História política do Brasil, quando o Superior Tribunal Federal (STF) formou maioria na 1ª Turma para tornar réu um ex-presidente da República. Cria dos porões fétidos da ditadura militar (1964-1985), Jair Bolsonaro e mais 7 aliados, entre eles, generais três estrelas e um tenente do Exército, foram acusados de uma série de crimes, a exemplo da tentativa de instaurar um novo golpe civil-militar em 8 de janeiro de 2023 e as consequências de atentar contra o Estado Democrático de Direito. 

Para o SOS Corpo este dia ficará marcado também por termos recebido para lançar seu livro “Contos da Cela Três – Memórias de uma Presa Política”, a jornalista e escritora Amelinha Teles, que foi presa política, sequestrada e torturada no DOI-CODI em São Paulo, entre 1972 e 1973. 

Resistência, enfrentamento, estratégias, afetos de luta, História, desafios, derrotas e vitórias, defesa da democracia, todas aprofundadas pela perspectiva da ação feminista ao longo dos anos. Amelinha Teles trouxe em palavras, uma análise da conjuntura de enfrentamento à extrema-direita no Brasil, a necessidade de continuarmos a luta contra a aprovação da lei da anistia para os golpistas, para aqueles que violam a igualdade e o Estado Democrático de Direito. Lembrou de companheiras e companheiros pernambucanos que tombaram na ditadura de 1964, destacando a importância de sustentar a memória para nunca esquecermos e para que o capítulo mais sombrio da História do Brasil não se repita.  

Amelinha Teles, durante debate na Ação Cultural Feminista. Foto: Layane Santos/Elas Fotografando

No Contos da Cela Três, Amelinha apresenta a Lagartixa Linguaruda de Nascimento, uma personagem criada a partir da sua prisão e aborda, de maneira lúdica, temas tão duros, vivências e memórias dos dias vividos dentro daquela Cela 3. “Para mim, a escrita é um ato revolucionário. O Estado cria mil formas de esquecimento, de desmemorização da nossa História. O tempo todo, há um apagamento, há um silenciamento de tudo que nos acontece. Não podemos deixar apagar a memória e uma das formas é escrevendo”, destacou Amelinha. 

Neste 31 de março de 2025, 61 anos do golpe de Estado que instaurou a ditadura militar no Brasil, trazemos acima, a fala de Amelinha Teles na Ação Cultural Feminista – Memórias e Insurgências Feministas.

Amelinha Teles, durante debate na Ação Cultural Feminista. Foto: Layane Santos/Elas Fotografando

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