Futuros Feministas para 2026
Analisamos neste artigo a conjuntura à luz dos acontecimentos que impactaram a democracia no Brasil em 2025, os conflitos entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário que demonstram a consolidação da extrema direita e do Centrão enquanto forças políticas, sobretudo nos ataques aos direitos das mulheres com a pautas abertamente antifeministas.
Neste artigo, a cientista política e educadora do SOS Corpo, Natália Cordeiro, analisa a conjuntura à luz dos acontecimentos que impactaram a democracia no Brasil em 2025, os conflitos entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário que demonstram a consolidação da extrema direita e do Centrão enquanto forças políticas, sobretudo nos ataques aos direitos das mulheres com a pautas abertamente antifeministas.
Compreendendo a democracia não apenas como um regime institucional, mas como um projeto político em disputa permanente, a autora chama a atenção para esses acontecimentos que influenciam diretamente nas condições de vida da população, sobretudo, sacrificando direitos das mulheres, da população LGBTQIAPN+, dos/as trabalhadores/as e das populações negra e indígena.
Especificamente com relação aos direitos das mulheres, ao longo de 2025, a extrema direita operou diversas investidas contra os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, crianças e pessoas que gestam, assim como contribuiu para reforçar discursos e práticas que potencializam a violência contra as mulheres.
Natália Cordeiro
A partir da análise do cenário da luta feminista pelo direito ao aborto legal e o enfrentamento à violência contra as mulheres, Natália Cordeiro evidencia como o antifeminismo está capilarizado na sociedade brasileira e como a extrema direita fundamentalista sustenta política e ideologicamente esta perspectiva.
Mesmo com ligeiras vitórias da mobilização popular em resposta às manobras escapistas da extrema-direita e do Centrão no Congresso, a autora enfatiza que é preciso que setores da esquerda compreendam a relação entre crise democrática, neoliberalismo e antifeminismo e que estejam dispostos a bancar as pautas feministas, sobretudo do direito ao aborto e do enfrentamento à violência contra as mulheres como elementos imprescindíveis para a construção de uma democracia que vá além do seu saturado e excludente modelo mínimo.
As eleições de 2026 não podem ser nosso horizonte último, elas são uma etapa importante deste momento histórico, mas não são o fim.
Natália Cordeiro



