Por Rivane Arantes e Mércia Alves(*)
Inspiradas na ideia “Carolinas de hoje”, mulheres que integram os vários grupos e organizações de mulheres do Recife e RMR participam no dia 8 de maio de uma atividade que mescla assistir ao espetáculo “Olhos de café quente” no Teatro Hermilo Borba Filho, e dialogar sobre a resistência das mulheres negras.
O espetáculo retrata as memórias de Carolina de Jesus, uma poetisa negra que nasceu em 1914 e viveu parte de sua vida na favela Canidé em SP nos anos 50/60.
Ao fazer de sua própria vivência de mulher negra, que catava papel para sustentar sua família, a inspiração para sua poesia, Carolina não somente fez uma poesia engajada como ignorou as fronteiras que separam brancos e negros, trabalhadores e proprietários, homens e mulheres, (re) existindo e tornando-se fonte de inspiração para as mulheres que, como ela, querem ocupar um lugar de dignidade na sociedade.
É sem dúvida uma reflexão atual sobre as precárias condições de vida das mulheres que vivem nos morros e alagados das cidades. Além de uma oportunidade para as mulheres populares desfrutarem da arte e cultura à luz da memória de uma das poetisas negras ainda invisível em nossa história.