“Resistir sempre!”

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Nota do SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia, no dia 29 de agosto de 2016.

Estamos acompanhando o julgamento político, injusto e ilegítimo, da Presidenta Dilma Roussef, eleita democraticamente em 2014 por mais de 54 milhões de brasileiras e brasileiros. Este julgamento pode trazer a justiça fortalecedora da democracia ou culminar um golpe de Estado, de cunho jurídico, parlamentar e midiático, orquestrado por uma coalizão golpista formada por setores derrotados nas últimas eleições. Um golpe patriarcal, ultraliberal e racista, liderado pelos setores oligárquicos e corruptos da elite brasileira, subordinado aos interesses econômicos internacionais.
Estivemos nas ruas, nos últimos meses, construindo a resistência feminista pela democracia; denunciando que este golpe fere profundamente a legalidade democrática pela qual tanto lutamos. Não renunciamos e não renunciaremos à resistência. A força do feminismo e de outros movimentos sociais nas ruas renova a nossa energia e disposição para lutar.
Também nos alenta a força daquela que, neste momento, carrega consigo, mais uma vez em sua vida, a árdua tarefa de enfrentar o cinismo, a hipocrisia, a injustiça e o autoritarismo. Em seu discurso, Dilma Roussef expressa o lugar do indivíduo na história e a força das mulheres como sujeito político. Essa força tem como esteio a resistência construída nas ruas, nas redes, nas rodas, nas cidades e no campo, país afora, contra a direita e pelos direitos.
Seguiremos em luta. Tempos difíceis nos esperam. Os meses em que estivemos sob o jugo do governo interino e ilegítimo já demonstraram a ofensiva em curso contra nossos direitos, contra nossa soberania, contra nossa autonomia, nossa liberdade de ser e nosso direito inviolável de lutar. Este é o verdadeiro motor deste golpe: o assalto ao poder tem como objetivo a tomada total e irrestrita do fundo público e sua subordinação aos interesses dos donos do mundo.
Como coletivo político-profissional feminista, seguiremos resistentes e irredutíveis na defesa dos direitos, da democracia e da transformação social. Seguiremos resistentes e irredutíveis na denúncia do golpe patriarcal, ultraliberal e racista que se impõe neste momento ao país e à América Latina. Se não pudermos mudar o curso da história, disputaremos sua interpretação como um compromisso com a memória da resistência e com o futuro das novas gerações.
Seguiremos resistentes e irredutíveis na defesa da autonomia e da liberdade das mulheres, ameaçada com a ascensão das forças fundamentalistas no governo e na sociedade. Seguiremos em luta contra os ditames do capital sobre nossos corpos e os bens comuns, em luta contra o racismo e a re-colonização do nosso país e da nossa região pelas grandes corporações internacionais.
Seguiremos resistentes e irredutíveis na defesa dos direitos trabalhistas e da previdência social universal para todas e todos que trabalham. Nenhum direito a menos!
Seguiremos resistentes e irredutíveis na luta contra o racismo e na defesa dos territórios e modos de vida de mulheres indígenas, camponesas, ribeirinhas e quilombolas.
Seguiremos na luta pela reforma do sistema político e pela democratização dos meios de comunicação.
Seguiremos resistentes e irredutíveis na luta pela democracia que, neste momento histórico, é encarnada na defesa do mandato da primeira mulher Presidenta do Brasil.
Não renunciaremos à resistência!

Foto: Marcha das Maragaridas 2015/ Nathália D’Emery