Os desafios do feminismo marxista na atualidade

O blog marxismo21 lançou neste mês de maio a publicação Os desafios do feminismo marxista na atualidade, dossiê que reuniu dezessete militantes, intelectuais e pesquisadoras que têm se dedicado ao estudo das relações entre feminismo e marxismo na contemporaneidade. A proposta editorial do marxismo21 é apresentar a teoria marxista na atualidade, aprofundar questões chave da teoria como formas de ver e organizar a luta no mundo. No caso do dossiê recém lançado, o feminismo socialista é fio condutor. 

A importância de um livro sobre feminismo marxista, de acordo com Maria Betânia Ávila, ganha real relevância, sobretudo no contexto que nos encontramos, de mais uma crise do sistema capitalista, mas dessa vez uma crise profunda dos efeitos do sistema sob a vida humana. Para a socióloga, que integra o coletivo do SOS Corpo e é uma das autoras do dossiê, estamos em um momento que nos exige saber qual é a expressão atual do capitalismo e como se forma seu metabolismo social. 

“Temos que interpretar e entender as causas históricas que nos trouxeram até aqui. Temos que interpretar e analisar quais são as expressões e qual é a forma de organização social nesse momento do sistema capitalista, patriarcal e racista. É preciso compreender o contexto que estamos vivendo e as causas históricas que o produziram”, explicou Betânia Ávila.

A publicação traz referências teóricas, históricas, políticas e metodológicas para uma interpretação crítica e necessária para lutas, formas de organização e perspectivas políticas para o movimento de mulheres e movimento feminista, mas mais amplamente, para todo o campo das forças que lutam por transformação social. “São referências fundamentais para o movimentos sociais em geral, pros partido políticos sujeitos individuais e sujeitos os coletivos que estão engajados numa luta por transformação desse estado de coisas, para a superação delas. E para a construção de um outro mundo possível, um que não seja organizado a partir de um sistema de destruição”, comentou a socióloga.  

Em Feminismo e Marxismo: uma relação dialética, Betânia faz uma parceria com Verônica Ferreira, também integrante do SOS Corpo e militante feminista da Articulação de Mulheres Brasileiras. Segundo Verônica, o artigo discorre sobre a histórica e dialética relação entre feminismo e marxismo, de sua mútua elaboração especialmente nas últimas décadas, quando feministas socialistas e do campo da esquerda, tomaram o marxismo como método para questionar como a experiência de parte da humanidade – no caso, nós mulheres, a nossa condição social, nosso trabalho -, havia sido tratada de forma secundária por Marx e pelos marxistas. 

“O artigo traz as principais contribuições do feminismo marxista, como uma corrente teórica e especialmente, das feministas materialistas, para pensar a realidade social e sua transformação: as mulheres como categoria social e histórica, a centralidade do trabalho na exploração-opressão-dominação das mulheres, a divisão sexual do trabalho e o trabalho doméstico, a questão do Estado e da reprodução social”, explicou Verônica. 

Ainda de acordo com a autora, o artigo segue a tônica da publicação e convoca à tarefa premente de pensar criticamente o mundo e a realidade social das mulheres. “Ele nos coloca a pensar os caminhos da transformação no contexto social em que a pandemia mostra a ameaça que o sistema patriarcal, capitalista e racista coloca à humanidade e a luta de classes. Por isso a luta feminista e antirracista se mostra urgente e imprescindível”, concluiu a pesquisadora. 

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