MULHERES, Segurança em primeiro lugar!

 

A vitória de Bolsonaro para presidência do Brasil aumentou os níveis de alerta de muitas pessoas que, preocupadas com o aumento da criminalização de mulheres e do movimentos sociais, buscam informações sobre segurança nos meios digitais. Uma das afirmações do próximo presidente é de que pretende acabar com toda forma de ativismo no país!

Sabemos que as redes online, seja como espaço de ativismo, trabalho ou lazer, são um espaço de privilégio. Não são todos que podem acessar a internet, pelos altos custos que ela representa. Uma das formas que a população periférica usa para contornar as barreiras digitalmente impostas são os pacotes de dados que oferecem a gratuidade de acesso a aplicativos como Facebook, WhatsApp e Instagram. Esses pacotes, entretanto, são vendidos de maneira ilegal pelas empresas, pois ferem a nossa legislação, o marco civil da internet. Segundo essa lei, feita pelo povo, por quem atua e trabalha com a rede, pelos movimentos que defendem o direito a comunicação livre e democrática, a neutralidade da rede é um princípio básico, pois não se deve interferir no conteúdo a ser acessado online, devemos ser livres para acessar que for preciso, necessário e desejado. A questão é que esses pacotes que limitam o acesso à internet à produtos de empresas, favorecem o consumo de notícias falsas. Ora, se eu não posso sair do Facebook ou do Whatsapp, como vou poder conferir a veracidade de uma frase enviada? Essa é uma das questões pelas quais urge refletir sobre este meio que modificou completamente nossas vidas, nossa forma de interagir com os outros, com o mundo e até mesmo nossa forma de fazer luta política.

Além disso, a internet também é um lugar permeado por violências. Entendendo que as fronteiras entre o on-line e o off-line não são rígidas, e que vivemos em um mundo onde o virtual cada vez mais faz parte da nossa experiência concreta, o racismo, o machismo, a lesbofobia, a transfobia, dentre outras opressões, têm equivalências nos dois espaços. Embora tenha dinâmicas de interação específicas, a internet é repleta de disputas de poder, discursos de ódio, expressões de amor e outras tantas iniciativas. Sua potencialidade em viralizar conteúdos, na verdade, tem sido uma forma de espalhar o ódio na velocidade típica da rede e faz com que os efeitos sofridos (sentidos) sejam longos, doloridos e, por vezes, fatais.

Diante da realidade de vigilância, criminalização e violência, muitos nos procuram perguntando sobre o nível de segurança dos aplicativos que usam e resolvemos resgatar um material produzido por nós para elucidar melhor e fornecer dicas sobre como atuar de maneira segura online! Você vai encontrar na cartilha de segurança digital feminista orientações para um comportamento mais seguro no ambiente virtual, assim como sobre como podemos nos cuidar e cuidar umas das outras neste ambiente hostil às nossas lutas e posicionamentos. Uso de celulares com segurança; proteção das comunicações e informações estratégicas; cuidados para a prevenção de eventuais ataques de hackers e de pessoas e/ou grupos de opositores radicais de direita; e procedimentos no caso de violações direitos no espaço virtual e fora dele são alguns dos tópicos da publicação.

 

Baixe a cartilha

 

E se você quer entender mais um pouco sobre como a internet tem colocado nossa democracia em risco, entender a estrutura da internet, saber como funciona os mecanismos de vigilância e perseguições aos movimentos e inspirar-se com histórias de resistência e cyberativismo, recomendamos a websérie produzida pela TV Drone e o coletivo Actantes XPloit: internet sob ataque. , São seis capítulos, cada um de 15 minutos, explicando as principais disputas atuais na rede brasileira e mundial. Com depoimentos de muitos e muitas ativistas pelo direito humano a comunicação, essa é uma série independente que precisa ser assistida e discutida, por revelear os rumos que a web está tomando.

capítulo 1 discute como os conflitos na internet colocam a democracia em risco. No segundo, aborda as perseguições aos ativistas e movimentos sociais. No terceiro capítulo, o tema é a própria estrutura da internet e como ela reproduz as lógicas do colonialismo. Na quarta parte da websérie, estão em foco as estratégias de coleta de dados e vigilantismo, o que também é mais profundamente tratado no quinto capítulo. O vídeo final trata de resistência dos usuários diante das ações intrusivas, antidemocráticas, punitivas e privativas das liberdades e direitos individuais.