É hora de aquilombar!

Rede das Mulheres de Terreiro de Pernambuco convida povos tradicionais de matriz africana, afro indígenas, movimentos sociais e todos e todas para o ato político em defesa das liberdades e dos direitos humanos. O acontecerá no Dia Internacional dos Direitos Humanos, segunda-feira (10)  na pracinha do Diário (Praça da Independência, Santo Antonio – Recife) a partir das 17 horas.

Aquilombar

“Tivemos uma experiência maravilhosa neste país que foi a dos quilombos. Quilombos eram territórios livres onde os negros passavam de coisa, para homens negros e mulheres negras. Nós éramos considerados res, éramos considerados coisa, então podia morrer no pau, colocar no tronco, pois éramos igual a coisas, a essa cadeira, por exemplo. Podíamos ser queimados com ferro quente no rosto, os mamilos das mulheres podiam ser cortados (…). Muitos historiadores e estudiosos esqueceram que a gente vive nesse país, nossas vidas e história não foram consideradas, nossa história foi contada pelo colonizador. Então nesse momento eu penso que temos que nos aquilombar! Se quisermos um estado livre, democrático, vamos precisar nos organizar como Palmares se organizou. Mais de 30 expedições foram armadas para derrotar o quilombo. Palmares só foi derrotado porque houve delação. Lá não viveram só os negros livres, também viviam indígenas e pessoas brancas, que não se adequavam àquele regime. Também viviam lá os doentes que foram acolhidos por nós, pois nossas casas sempre foram casas de acolhimento. Como nos vamos nos aquilombar daqui pra frente? Como nos vamos aprender com a experiência da nossa história para construir a democracia?”

“Se a luta por democracia não for antirracista,
não será pela democracia que estaremos lutando”

 

Trecho da fala de Vera Baroni no Seminário promovido pelo SOS Corpo sobre Feminismos e a Questão Democrática.