A ausência de ação do governo federal e do planejamento eficaz dos governos estaduais e municipais não permitiram que o país tivesse um controle mínimo da disseminação do coronavírus. Com a pressão capitalista por uma reabertura precoce dos serviços não essenciais, uma nova questão tem gerado angústia a milhares de mães e suas crianças: a falta de segurança para a retomada dos trabalhos e das aulas presenciais.

As recentes manifestações que eclodiram ao redor do mundo têm exposto o racismo, uma ferida colonial, um sistema complexo e perfeito para (re)produzir desigualdades sociais dentro de uma sociedade racista como a nossa. O que o momento nos coloca como desafio para seguir na luta por dias melhores, é a necessidade, mais que urgente, de colocarmos no centro de nossas vidas a luta antirracista.

“Na comunidade o povo acha que este virus so pode acontencer com os outros”, mas as mulheres negras, mães solo, donas de casa, chefes de família, matriarcas estão com medo. Procuram Elzanira, ativista feminista como referência. Leia o relato dela para o dossiê Mulheres em Tempos de Pandemia

Em todo o país, coletivos, comunidades e iniciativas dos movimentos sociais têm se organizado de forma autônoma para ajudar as populações que cotidianamente estão desassistidas pelo Estado. Para além da solidariedade assistencialista pregada pelo capital, as iniciativas unem informação e ação política para mostrar que o problema da crise é a desigualdade social provocada pelo sistema.

As doenças não são entidades democráticas. Pelo contrário, elas têm incidências determinadas pela renda, pela idade, pelo gênero e pela raça. Diante da pandemia provocada pelo coronavírus (SARS2- CoV2), diversos segmentos da sociedade estão mais expostos e são identificados como grupos de risco, por conta de comorbidades específicas. A população negra, em sua diversidade, também é um dos grupos de risco.

A audiência pública “O impacto do derramamento de petróleo no meio ambiente, saúde e na economia dos pescadores e pescadoras artesanais de Pernambuco” lotou a Assembleia Legislativa do Estado nesta terça-feira (3). A voz que ecoou foi sobretudo a das mulheres, que muitas vezes garantem as contas pagas e a comida na mesa.

O Ocupe Passarinho Ano IV acontece no próximo sábado, 07 de dezembro, a partir das 9h da manhã. A ação político-cultural, organizada pelo Grupo Espaço Mulher, além de denunciar a falta de direitos básicos, terá o Beleza Negra, oficinas, contação de histórias para as crianças, feirinhas e apresentações culturais. Participe e fortaleça a luta!

Para as comunidades negras, as mulheres estão à frente da resistência. Neste #NovembroNegro trazemos diferentes iniciativas que pautam, no dia a dia, a prática antirracista como instrumento imprescindível à transformação social.