VENTRE LAICO MENTE LIVRE: um manifesto musical pela descriminalização do aborto

Fonte: Católicas Pelo Direito de Decidir

MulambaJuliana Strassacapa (Francisco El Hombre), Brisa Flow, Luana Hansen e Dominatrix são as artistas incluídas no projeto musical “Ventre Laico Mente Livre”, criado para debater os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Realizado por Católicas pelo Direito de Decidir e produzido por Elisa Gargiulo (Dominatrix), o projeto também conta com participações de EkenaRaissa Fayet e Moyenei Valdés e com arte de Elisa Riemer. O EP também saiu em vinil e já está disponível em todas as plataformas digitais.

A música é o meio pelo qual vozes silenciadas encontram vida. O tema da interrupção da gravidez é complexo e atravessa questões como violência sexual, falta de acesso a contraceptivos, conflitos familiares, problemas econômicos e sociais além do simples desejo de vivenciar a maternidade no momento certo e de forma planejada. Aborto é um assunto que tem a ver com dor, sobrevivência e dignidade humana, e as mulheres geralmente não encontram espaço para falar abertamente sobre o tema. Assim, precisamos não só falar sobre aborto. Precisamos cantar sobre o aborto.    

Católicas pelo Direito de Decidir criou o projeto “Ventre Laico Mente Livre” dando seguimento a sua estratégia de usar a música como meio de debate e reflexão sobre os direitos sexuais e reprodutivos, a exemplo de “Ventre Livre de Fato”, lançada em 2012 por Luana Hansen e “Mosaico”, de 2016 da artista Brisa Flow. No EP “Ventre Laico Mente Livre”, a organização inovou por juntar artistas novas e outras com mais estrada, e por misturar diferentes estilos, entre eles mpb, eletrônica, rap, hip hop e hardcore. Outra inovação é o lançamento do EP em vinil, possibilitando melhor visualização do trabalho da artista Elisa Riemer, artista gráfica e artivista feminista, cujos trabalhos já estamparam publicações, cartazes de eventos feministas, cartas de Tarot, entre outros.

Conheça as artistas de “Ventre Laico Mente Livre”

De Curitiba e bastante conhecidas pelo vídeo de “P.U.T.A” (3 milhões de views no YouTube), Mulamba usa sua linguagem musical para reiterar seus anseios e inquietações pela igualdade de gênero e outros temas de cunho social e político.  A banda foi indicada à categoria de “Melhores Instrumentistas”, no Women’s Music Event 2018. Foi convidada para participar do projeto “Escuta as Minas”, do Spotify, ao lado de Elza Soares, Karol Conká, Maiara & Maraísa e outras grandes mulheres da música brasileira. Seu homônimo álbum de estréia, gravado no RedBull Station (SP) figurou na lista de “Melhores do Ano” de diversos veículos especializados, e foi incluído na respeitada lista do APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) como um dos melhores 25 lançamentos do segundo semestre de 2018. Em janeiro de 2019, foi indicada como “Artistas pra ficar de olho 2019” pelo Youtube Music. Mulamba representa um grito de vozes silenciadas, reforçando o protagonismo feminino na música nacional.

Juliana Strassacapa é cantora, compositora e percussionista, integra a banda Francisco, El Hombre. Lança através deste álbum coletivo seu primeiro trabalho solo. Já colaborou com artistas como Liniker, Mulamba, Maria Gadú, Rodrigo Lemos, Čao Laru, Ator Morto, Juana Fé, Cuatro Pesos de Propina, Merken, La Bomba de Tiempo. Sua pesquisa musical se envereda pelos folclores brasileiros e latinoamericanos mesclados a experimentações eletrônicas.

Brisa de la Cordillera, mais conhecida como Brisa Flow, é cantora, musicista, compositora, poeta, performer, produtora musical, ativista e um dos principais expoentes do indígena futurismo no Brasil. Filha de um casal de artistas chilenos, nascida em Minas Gerais, iniciou seu processo artístico em Belo Horizonte e mistura a levada latina com rap, eletrônico e neo/soul. Seu primeiro álbum foi lançado em 2016, intitulado “Newen”, que significa “força” na língua nativa do povo ameríndio Mapuche e esteve entre os 20 melhores lançamentos daquele ano selecionados pelo Estadão. Foi artista “aposta” da Folha de São Paulo em 2017. O segundo trabalho, “Selvagem Como o Vento”, foi lançado em dezembro de 2018, esteve entre diversas listas e concorreu pelo site da Redbull entre os melhores 50 discos do ano. Recebeu prêmio Olga Mulheres Inspiradoras. Seu show apresenta as músicas de seus dois álbuns com performances misturando instrumentos analógicos e eletrônicos. Já se apresentou na Virada Cultural de São Paulo (2016, 2017, 2018), Tomie Ohtake, Meca Inhotim, Teatro da UFF e faz o circuito SESC.

Luana Hansen é feminista, negra, lésbica, mãe, rapper, DJ, MC e produtora musical. Sua atuação é conhecida no campo da música e dos direitos humanos. Luana está presente há 20 anos no Movimento Hip Hop e sua vida já foi tema de mais de 80 artigos acadêmicos. Luana participou dos documentários “4 Minas”, “Mulheres Negras”,” Vozeria”, “Babado Periférico”, em e “5 vezes Luana”. A artista celebrou o movimento feminista com músicas como “Negras em Marcha”, com participação de Leci Brandão e considerado hino da Marcha das Mulheres Negras, “Marielle Presente e “Ventre Livre de Fato”.

Com 24 anos de estrada, três turnês internacionais e 4 discos lançados, a banda de hardcore feminista Dominatrix é referência no cenário punk e hardcore mundial. Em sua formação, a banda conta com Elisa Gargiulo (guitarra e voz), Fernanda Horvath (baixo), Marina Takahashi (guitarra e voz) e Nina Pará (bateria). Elisa Gargiulo é ativista feminista e já participou de projetos musicais feministas como Fantasmina e Visiona, produziu 7 edições do festival feminista musical Ladyfest Brasil e dirigiu e criou a trilha sonora do documentário “4 Minas”, vencedor do 13º Prêmio da Associação da Parada LGBT de São Paulo.

Ouça do EP:

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