Sociobiodiversidade na Panamazônia nas discussões das Margaridas

Foto: Cobertura Colaborativa da AMB.

Na tarde da terça-feira, 13 de agosto, Margaridas se reuniram para participar de rodas de diálogo sobre Sociobiodiversidade na Panamazônia. As atividades, facilitadas por integrantes da Articulação de Mulheres Brasileiras, fizeram parte de uma vasta programação da Marcha das Margaridas e tocaram em aspectos de violação de direitos das mulheres e de necessidade do cuidado nesse contexto de tanto individualismo.

Socorro Papoula, uma das organizadoras da roda sobre Sociobiodiversidade na Panamazonia, avalia que o momento “Tem uma importância para discutir com essas mulheres que vieram de vários estados esse nosso território, desconhecido da maioria dos brasileiros e brasileiras. O objetivo aqui é selar uma aliança, uma parceria não só de proteção ambiental, mas de manter aquilo ali em pé para os futuros filhos, netos, bisnetos, para as relações de animais, da diversidade que tem a nossa Amazônia”. Nesse intuito, elas abriram a roda com uma performance de mulheres do Amazonas, em que elas, com tecidos ao redor representando um rio, cantavam “Amazônia, querem te acabar, as mulheres não vão deixar, as mulheres não vão deixar”.

Para a estudante do curso de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Laura Foschiera dos Santos, que faz parte da Federação de Estudantes de Agronomia do Brasil, o debate sobre sociobiodiversidade em outros espaços do país é interessante para a sua área de atuação e para compreender as questões sociais que afetam. “Achei bem interessante poder ouvir as pessoas compartilharem suas experiências em sua realidade dos seus estados É uma forma de conhecer um pouco os espaços”.

Ao longo da discussão, saíram depoimentos de situações de violência e violações no campo da justiça socioambiental e o que isso representa na vida das mulheres. São eles: os latifúndios, o uso indiscriminado de agrotóxicos, o desmatamento, a poluição dos rios, a má distribuição da água e falta de saneamento. Ao mesmo tempo, eram pensadas formas de enfrentar essas problemáticas coletivamente. “Como a gente enfrenta todos esses problemas? Seguindo na luta. Garantir mulheres em espaços de poder institucional e valorizando a importância das pessoas ocuparem as ruas, como a própria Marcha das Mulheres Indígenas e das Margaridas nos mostram”, afirma Rivane Arantes, integrante da AMB.

Material da Campanha Internacional foi distribuído. Foto: Cobertura Colaborativa da AMB.

Outra estratégia é o Fórum Social Panamazônico, que reúne pessoas que estão na região para discutir questões específicas, que estão relacionadas ao modelo de desenvolvimento, ao extrativismo, aos problemas resultantes desse modelo de desenvolvimento. Com a campanha lançada em 2017 com o lema “Nosso corpo, nosso território”, as mulheres trazem à tona como, além do capital, o patriarcado e o racismo são também estruturantes de como o desenvolvimento acontece. Com frases de desordem “As mulheres são como as águas: crescem quando se juntam” e “Feministas contra o machismo, feministas contra o capital, contra o terrorismo neoliberal”, as Margaridas finalizaram a roda.

Saiba mais como foi o lançamento da campanha durante I Fórum Nacional das Mulheres Indígenas.

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* Gabriela Falcão é jornalista e integra a Articulação de Mulheres Brasileiras. Este texto faz parte de cobertura colaborativa realizada pela Coletiva de Comunicação da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), em parceria com Universidade Livre Feminista (ULF) e Blogueiras Feministas, organizada especialmente para cobrir a Marcha das Mulheres Indígenas, a Marcha das Margaridas e o lançamento da Frente Parlamentar Feminista Antirracista com Participação Popular.

Expediente: Coordenação Geral: Cris Cavalcanti (PE); Texto: Fran Ribeiro (PE), Gabriela Falcão (PE), Carmen Silva (PE); Laura Molinari (RJ), Carolina Coelho (RJ), Raquel Ribeiro (RJ), Angela Freitas (RJ), Rosa Maria Mattos (RJ), Milena Argenta (DF) e Priscilla Britto (DF); Fotos: Carolina Coelho (RJ) Fran Ribeiro (PE); Vídeo: Débora Guaraná (PE), Milena Argenta (DF) e Cris Cavalcanti (PE); Edição: Coletivo Motim; Diagramação: Débora Guaraná (PE), Bibi Serpa (RJ), Cris Cavalcanti (PE) Sites e Redes Sociais: Cristina Lima (PB), Thayz Athayde (CE), Cris Cavalcanti (PE), Analba Brazão (PE); Produção: Mayra Medeiros (PE) e Masra Abreu (DF).