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sexta, 31/03, 19h – lançamento – “Feminismo Popular e lutas antissistêmicas”

As mulheres populares no feminismo brasileiro – como, quando e por quê

Para a educadora Carmen Silva, os estudos e discursos atuais sobre a trajetória política do feminismo no Brasil ainda não veem suficientemente o movimento de mulheres negras e das mulheres trabalhadoras, sindicalistas e camponesas, e também não reconhecem a presença das mulheres de classes populares. A publicação Feminismo Popular e lutas antissistêmicas, que traz os resultados da pesquisa realizada por Silva sobre essas questões, será lançada nesta sexta, no Recife.

Por Paula de Andrade*

Debates políticos e teóricos bastante difundidos no Brasil em geral enxergam o feminismo como um movimento composto por mulheres de classe média, brancas e com formação universitária. Por perceber outra realidade, a educadora Carmen Silva decidiu investigar como as mulheres de classes populares participam do movimento e como se sentem em relação a esta participação. Suas questões conformaram uma pesquisa que realizou junto a integrantes do movimento, num processo que se vinculou a estudos na pós-graduação de Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco.

No percurso da pesquisa, a autora visualizou que as mulheres de classes populares sempre estiveram no feminismo e agora estão presentes em maior quantidade, organicamente vinculadas e auto-identificadas como feministas. Para Carmen, “Elas estavam lá desde o início, mas ao longo dos últimos quarenta anos a leitura que se fazia do movimento é que não permitia que essas mulheres fossem vistas”, ressalta.

Os principais conteúdos de sua pesquisa estão apresentados no livro “Feminismo Popular e lutas antissistêmicas”, que será lançado na noite desta sexta, 31, no centro cultural feminista do SOS Corpo, no Recife. capa2

No livro, Carmen Silva descreve como a mídia composta por jornais e revistas de grande circulação acentuava, há seis anos, o fim do feminismo, que já não seria necessário frente às conquistas realizadas pelas mulheres. Também se dizia que as mulheres, especialmente as mais pobres, desejam não ter que trabalhar fora de casa, para serem mães mais tranquilas, e que toda esta ideia de trabalhar fora teria sido imposta pelas reivindicações feministas. Também havia uma linha de formulação sobre a vida das mulheres que cultuavam o consumo de toda sorte de produtos e técnicas para alcance de um padrão de beleza, equalizado numa imagem de mulher bela, sem desafios ou qualquer problema pela associação cotidiana dos afazeres “de mãe e de esposa”, com os relacionados ao trabalho remunerado numa carreira profissional plenamente bem sucedida.

A partir de sua vivência como integrante do movimento feminista, a educadora afirma seu espanto diante deste “mundo das mulheres” veiculado na mídia, por conviver com muitas para as quais o trabalho com rendimentos não apenas era desejado como imprescindível para o sustento, e realizado com a sobrecarga das tarefas domésticas, não valorizadas socialmente e não remuneradas, além dos diversos momentos de solidão, pouquíssimo tempo para si e para a participação política, estudos e outras vivências de contemplação, fruição, prazer etc. A questão do sustento e trabalho fora de casa, sempre foi, inclusive, destacado por feministas negras como uma dimensão inescapável da vida das mulheres negras, desde o processo histórico que vivenciaram no Brasil, no período da escravização e após.

Por esses aspectos e pelos interesses quanto aos caminhos percorridos pelas “articulações movimentalistas” do feminismo, Carmen Silva também buscou investigar como se organizam e as características das ações coletivas das mulheres de classe populares no âmbito do feminismo. Sua obra também pode contribuir para os estudos de todas as pessoas interessadas em analisar a movimentação feminista realizada nas ruas e na internet durante a primavera feminista de 2015.

Serviço:

Lançamento do livro Feminismo Popular e lutas antissistêmicas, de Carmen S. M. Silva. 

Quando: sexta, 31 de março.

Hora: a partir das 19h

Local: no centro cultural feminista do SOS Corpo, Rua Real da Torre, 593 – Madalena, Recife.

(*) Paula de Andrade é jornalista e integra o coletivo político-feminista do SOS Corpo.

 

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