Representação de grupos sociais na política é discutida pelos movimentos sociais

 

 

Dados de cor, raça e sexo foram usados pelo TSE para registro de candidaturas nas eleições e serão analisados em seminário nesta sexta (19), em Brasília

 

Por Ludimilla Carvalho

Você sabe quantos candidatos/as nessa eleição são negros/as? Tem ideia do número de mulheres que concorrem a cargos políticos no pleito? Ou se há algum(a) indígena candidato/a?

Essas informações, típicas das estatísticas do IBGE para estudos da população, foram utilizados este ano como critérios para registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É a primeira vez que informações dessa natureza são usadas nas eleições. Esses dados serão apresentados e discutidos no seminário “Desigualdades no Parlamento Sub-Representação e Reforma do Sistema Político”, realizado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos – Inesc, nesta sexta-feira (19), em Brasília.

De acordo com José Antonio Moroni, da equipe do Inesc, a inclusão de informações relativas à raça, cor, etnia e estados da federação sobre os candidatos/as às eleições, torna possível “fazer uma leitura de quantas mulheres negras ou indígenas são candidatas nas eleições no estado de Pernambuco, por exemplo”. A ideia do seminário é exatamente apresentar um perfil das candidaturas, refletindo sobre questões como sub-representação das mulheres, participação social, e debater vias de superação das desigualdades no espaço político.

Segundo consta no site do TSE, podem concorrer a cargos em todo o país nas eleições 2014, mais de 22 mil candidatos/as, dos quais menos de 30% são mulheres. Quando a pesquisa é feita levando em conta a cor ou raça, temos 55,5% de brancos, contra 9,18% de negros. O total de quem se declarou amarelo/a ou indígena, não chega a compor 1% dos candidatos/as (respectivamente, 0,47% e 0,35%).

Guacira Oliveira, do Cfemea (Centro Feminista de Estudos e Assessoria) – uma das organizações que participam do seminário – avalia as informações com cautela. Para ela, do ponto de vista das candidaturas, os dados agora utilizados pelo TSE podem ajudar a mapear a participação das mulheres na corrida eleitoral, mas o investimento dos partidos nas candidaturas de mulheres continua pequeno. “Há sim um esforço do movimento de mulheres, do movimento negro, para ampliar essa participação, mas não dos partidos”, pondera. Ainda, segundo ela, os partidos seguem “a lógica do sistema político que é manter no poder quem já está no poder, e manter fora os que estão excluídos”.

Analisando especificamente o quadro da disputa eleitoral, Guacira Oliveira afirma que mesmo agora, com 3 mulheres na corrida pela presidência da república, algumas pautas fundamentais para as mulheres não estão em debate. “Mesmo considerando que temos 3 candidatas, com uma trajetória política de esquerda, e pensando numa perspectiva de autonomia das mulheres, temas como a luta contra o patriarcado e o racismo, por exemplo, não estão colocados no debate, não estamos vendo isso”, avalia.

Essas e outras questões devem nortear a discussão no evento de amanhã (19), que é uma realização do Inesc, em parceria com Cfemea, SOS Corpo – Instituto Feminista para a Democracia e a Plataforma dos Movimentos Sociais Pela Reforma do Sistema Político. As atividades são gratuitas e abertas ao público (sem necessidade de inscrição).

Confira a programação completa:

Seminário Desigualdades no Parlamento, Sub-Representação e Reforma do Sistema Político

9h – Apresentação das candidaturas / Eleições 2014 e análise do perfil de candidatos/as a partir das estatísticas de raça, cor e sexo, por Carmela Zigoni (Inesc)
10h – Desafios à superação das desigualdades no Parlamento, discussão das informações sobre candidaturas com Inesc, Cfemea, Marcha das Mulheres Negras, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e Articulação de Povos Indígenas do Brasil (APIB)
11h – Debate aberto ao público
13h30 – Análise de conjuntura: Luta pela Reforma Política e Reunião Aberta da Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político

Serviço:
Seminário Desigualdades no Parlamento, Sub-Representação e Reforma do Sistema Político
Sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Casa Retiro Assunção – SGAN, Quadra 661, Brasília (DF)
Aberto ao público
Informações: inesc@inesc.org.br