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Recomendamos: e-book da Marcha das Mulheres Negras 2015 (Criola.org.br)

Um registro memorável organizado pela Articulação de Mulheres Negras Brasileiras!!!
Na introdução, Nilma Bentes destaca: “O esforço resultou em uma belíssima Marcha. Foi como se um pequeno olho d’água se transformasse em um belo, caudaloso e vigoroso rio. Mostrou, inclusive, que mulheres negras podem, sim, contar com a solidariedade de outras negras e emergirem como um sujeito político a ser respeitado. Milhares de nós foram possuídas por emoções nunca antes experimentadas. Com certeza, desde o início, nossas ancestrais estiveram ao nosso lado. Continuamos em Marcha”.

A repercussão local, nacional e mundial da Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e Pelo Bem Viver, realizada no dia 18 de novembro de 2015, foi resultado dos esforços coletivos das milhões de mulheres negras que, durante três anos e em lugares diferentes do País e do mundo, acreditaram na construção de um momento político que revelaria e visibilizaria a luta, a resistência, as denúncias, as angústias e as vozes das 50 milhões de mulheres negras brasileiras.

A estratégia de comunicação e mobilização construída e inaugurada na Marcha marcou uma forma de fazer comunicação e mobilização. Uma forma de mobilizar e comunicar sustentada nos ensinamentos antigos do “correio nagô” e do boca a boca, da proximidade de lugares das mulheres negras, como também, da utilização inovadora das ferramentas de comunicação que, ao se juntar aos discursos e bandeiras políticas levantadas pela Marcha, produziu incidência em diferentes esferas.

Ao longo de três anos foram realizadas agendas, debates, rodas de diálogo, samba, bingo, passeata, seminários, exposições, oficinas, sarau de poesia, audiências públicas entre outras ações que tornou a Marcha presente nos quatro cantos do País. Foram milhares de vozes negras que invocaram o sentido de viver africano orientado pelas nossas ancestrais, que nos ensinaram e ensinam que “Nossos Passos Vêm de Longe” e, que quando “Uma Sobe Puxa a Outra”.

Foi incrível ver, ao longo de três anos, cada estado, município, comunidade e coletivo com suas cores, bandeiras, abanos, faixas, camisas, banner, pirulito, programas de rádios, cartas abertas, spots de rádio, vídeos, entrevistas, fanzines, boletins e fotografias circulando nos estados preservando, em cada uma das peças, as características locais, identidade e subjetividades que nos tornam diferentes na história, no fazer e construir política e no ser mulher negra em cada região do País. Fomos todas comunicadoras, blogueiras, protagonistas e donas da nossa própria história. A Marcha é parte dessa história.

Por isso, é com imensa alegria que a Articulação de Organizações de Mulheres Negras – AMNB lança o E- book Marcha das Mulheres Negras com a história e memória fotográfica do processo de construção, mobilização, divulgação e realização da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver nas cinco regiões do Brasil.

ebookmarcha2015

Foto: Cláudia Ferreira, p. 50 do e-book

A Marcha foi um Marco para o movimento de mulheres negras brasileiras, um divisor de águas na vida das mulheres negras, o mais importante movimento político no Estado brasileiro no ano de 2015. Para a AMNB, construir este processo foi de extrema importância para garantir o fortalecimento político da luta das mulheres negras no País. Neste processo, a AMNB e suas afiliadas e entidades parceiras estiveram presentes e construindo a Marcha em todos os estados brasileiros. Algo que pareceria pequeno no início, “Uma Sobe, e Puxa a Outra”, se tornou: “Estamos por nossa própria Conta”, com a “força de nossas ancestrais” e o “Protagonismo é nosso”.

A ocupação as das ruas de Brasília – DF por mais de 50 mil mulheres negras significou denunciar o racismo, o genocídio da população negra, romper com os estereótipos de não ser padrão de beleza, denunciar a exclusão, a pobreza, o feminicídio, a violência, significou romper com as cortinas do passado, com o ranço da escravidão, ainda presentes no cotidiano das mulheres negras, independente da posição social que ocupem na sociedade brasileira.

No dia 18 de novembro de 2015, mulheres negras “aquilombaram” Brasília também para dizer que nós, mulheres negras e povo negro, queremos construir um novo modelo civilizatório para o País, centrado no bem viver e no rompimento com o racismo e todas as formas de discriminação que alijam e matam homens e mulheres negras. Este E-book é apenas o primeiro de muitos outros que virão a partir da I Primeira Marcha de Mulheres Negras do Mundo.

Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras 

Acesse o e-book no sítio institucional de Criola clicando aqui