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“Queremos circular em todos os espaços da cidade e ser respeitadas” – Nota do Fórum de Mulheres de Pernambuco

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Nota do FMPE contra medidas que segregam as mulheres nos transportes coletivos

e contra o aumento das passagens

 Em setembro de 2016, por ocasião do aumento do número de estupros e feminicídios em Pernambuco, o governador do Estado, Paulo Câmara, por incompetência em resolver esta onda de violência contra as mulheres ou por puro preconceito de gênero, declarou à imprensa que as mulheres deveriam evitar sair às ruas. Sua declaração revelou o que ele pensa, mas não declara: a culpa é da vítima!

Em novembro de 2016, o Ministério Público Federal, em conjunto com o Ministério Público de Pernambuco e com a Secretaria da Mulher de Pernambuco, realizou uma audiência com o objetivo de construir políticas que enfrentem a violência contra as Mulheres nos espaços urbanos. Na ocasião, o Fórum de Mulheres de Pernambuco se manifestou contra quaisquer medidas que segreguem as mulheres nos espaços públicos e apresentou uma série de reivindicações.

O governador ignorou nossas reivindicações, optando pelo caminho da mediocridade e do preconceito contra as mulheres, destinando um vagão do metrô apenas para elas. Segregar as mulheres não resolve o problema. É preciso educar os homens!

Queremos circular em todos os espaços da cidade e ser respeitadas. A medida adotada pelo governador reproduz a tradicional frase machista: Prendam suas cabritas que meu bode está solto!

Esta medida foi adotada na cidade do Rio de Janeiro e não há indicação de que resolveu o problema do assédio sexual e moral no metrô do Rio. Somos a maioria da população e também a maioria que usa transporte coletivo, portanto, segregar mulheres em um vagão não resolve o problema.

O transporte público é um equipamento de mobilidade, de acessibilidade e de convivência, assim, antes de aumentar as passagens, é preciso humanizar o transporte coletivo!

Cotidianamente andamos em transportes lotados e sujos, com motoristas de ônibus que “furam” as paradas e se desviam das rotas; paradas de ônibus precárias; e estações de metrô inseguras.

Por isso, reafirmamos as reivindicações que apresentamos na audiência acima citada:

 Divulgação sistemática de cartazes com poemas e crônicas contra o assédio sexual e de áudios e/ou vídeos educativos durante o percurso de ônibus e de Metrô.

 Formação de motoristas, cobradores e guardas das estações de metrô para atuar nos momentos em que ocorrem o assédio sexual e a violência.

 Aumento da segurança nas estações de metrô com instalação de iluminação e câmaras.

 Aumento do número de guardas nas estações de metrô, com formação continuada para lidar com o assédio sexual, a violência étnico-racial e a violência lesbofóbica, homofóbica e transfóbica.

 Criação de uma lei que permita mulheres pegar ônibus fora das paradas após as 22 horas, como já acontece em João Pessoa.

 Requalificar as paradas de ônibus, iluminando e abrigando as pessoas contra o sol e a chuva. Elas estão abandonadas.

 Educação escolar que ensine os garotos a nos respeitar e as meninas a ser autônomas.

GOVERNADOR TRABALHE E NOS DEIXE EM PAZ!

CONTRA O AUMENTO DAS PASSAGENS!