Nota do SOS CORPO – “Pela Democracia! Contra o Estado de Exceção!”

Pela Democracia! Contra o Estado de Exceção!

Frente aos últimos acontecimentos desta sexta feira (04/03/2016) com a ação da força tarefa da Polícia Federal e Ministério Público Federal, cumprindo mandado do juiz Moro, de condução coercitiva do ex-presidente Lula para depoimento para o qual ele não tinha sido intimado, nós, do SOS Corpo – Instituto Feminista para a Democracia, como parte que somos do movimento feminista, sempre presente nas lutas por justiça e democracia em nosso país, queremos afirmar que esta coerção se constituiu uma arbitrariedade que coloca em xeque o direito de defesa e a presunção da inocência, cujo descumprimento, em última instância, faz desmoronar o Estado de Direito.

Em meio à crise econômica e as epidemias que atingem o país, a truculência dos partidos burgueses, da mídia e de setores do Judiciário no sentido de ampliar a crise política gera riscos para a institucionalidade democrática, duramente construída nas lutas contra a ditadura militar.
É hora de oferecer resistência às investidas da direita, de sair às ruas para enfrentar a tentativa de golpe que está em curso e a criminalização dos movimentos sociais com a lei antiterror. Não vamos aceitar a entrega do Pré-Sal para as petroleiras internacionais e nem os acordos com a Samarco, que com sua lama tóxica tirou do mapa um rio de vidas.

Nós, mulheres, que estamos enfrentando a saga do fundamentalismo no Congresso Nacional, que tenta fazer de nossas vidas e nossos corpos “moeda de troca” no jogo político, vamos às ruas dizer: “Não passarão!” Para enfrentar a Zica, defendemos o SUS e o saneamento básico. Exigimos que a riqueza brasileira seja compartilhada com o povo brasileiro, para garantir justiça a todos e todas que vivem do suor do seu trabalho. Exigimos também a democratização da comunicação em nosso país.

Nós, mulheres, não temos a democracia que queremos, mas não abriremos mão do que já conquistamos. A democracia é fundamental para seguir lutando!

Recife, 04 de março de 2016,
Equipe do SOS CORPO – Instituto Feminista para a Democracia