Não renunciaremos à resistência! – Nota do SOS Corpo [02maio16]

A luta contra o golpe e em defesa da institucionalidade democrática conquistou uma grande vitória neste período curto, e forte, de mobilizações: recolou a política nas ruas! A onda neoliberal que tomou conta do mundo no período imediatamente anterior havia tentado destituir a política, colocando-a em um lugar técnico e de gabinetes.

Nesta crise política que o Brasil está atravessando os movimentos sociais não apenas se recolocaram como força política no cenário nacional, como afirmaram com sua presença pública que a política se faz também nas ruas e é daí que emana a energia para um governo de caráter democrático e popular. Esta vitória ninguém poderá roubar. Nem o lado golpista e nem aqueles que são contra o golpe, mas que articulam por uma saída negociada.

No cenário da crise, esta semana a conjuntura está marcada pelas pressões para que a presidenta Dilma renuncie. Ou seja, uma investida das forças políticas que são contra o impedimento defende a continuidade da institucionalidade democrática e não reconhece crime de responsabilidade da presidenta, mas articula para que ela aceite ser impedida antes do julgamento no Senado. Renunciar é isso.

A presidenta pode aceitar esta ideia de eleições gerais para conciliação nacional, mas isso só terá valor para desmascarar o perfil golpista do Congresso e do vice-presidente, pois eles não aprovarão. Os deputados e senadores tendem, obviamente, em causa própria, a não aceitar esta ideia. E, sendo a eleição proposta apenas para o Poder Executivo, também o vice-presidente tenderá a não aceitar renunciar em favor deste acordo. Na hipótese ilusória deste acordo nacional se viabilizar, ele servirá para conferir legitimidade a um novo governo oriundo desse processo de golpe, seja ele qual for.

Para nós, do movimento feminista, esta proposta significa, entre outras coisas, a retirada da primeira mulher presidenta da cena política, para a entrada de um acordo patriarcal e tradicionalista da velha política brasileira. É a mudança pelo alto, tão cara às elites políticas, que mais uma vez tentam inibir a política das ruas em nome de reduzir riscos de convulsão social.

Não vamos ter calma! Conclamamos todos os movimentos sociais, grupos, coletivos e pessoas de boa vontade que estão mobilizadas contra o golpe, nas ruas e nas redes, a não aceitarem esta saída.

Um acordo deste tipo pode levar à desmobilização, ou seja, ao redirecionamento de toda essa energia liberada na luta para as eleições de um novo governo federal; e isso coloca mais riscos sobre os direitos que estão sendo disputados agora no Congresso Nacional, e que vão muito além das políticas sociais.

Para nós, interessa a resistência. Continuaremos na luta contra a direita, pelos direitos, pela democracia. A saída é pela esquerda.

Coletivo do SOS Corpo – Instituto Feminista para a Democracia