“Não ao Governo da Coalizão Golpista!” – Nota da Articulação de Mulheres Brasileiras

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DECLARAÇÃO DA ARTICULAÇÃO DE MULHERES BRASILEIRAS

Não ao Governo da Coalizão Golpista!

Entendemos que estamos diante de um governo golpista, que usurpou o poder por meio de um golpe parlamentar, jurídico e midiático, em 12 de maio de 2016. Este governo golpista, sendo um governo interino, não poderia, de acordo com os preceitos legais, alterar nem políticas nem ministérios, mas o faz com a conivência do Supremo Tribunal Federal – STF e com aval da grande mídia, que faz crer ao povo que está tudo bem, quando o mundo se estarrece.

Estamos frente a uma coalizão golpista. Temer foi o usurpador, mas o governo golpista é maior que sua figura, é governo de uma coalizão de vários partidos liderados pelos partidos derrotados nas últimas eleições presidenciais, PSDB, PSB, PPS e DEM, que tomam o poder de assalto durante um processo de impeachment ainda em curso.

Dilma está submetida a julgamento de exceção: é ainda Presidenta da República eleita, injusta e temporariamente afastada, mas o governo interino da coalizão golpista, setores do STF e a mídia golpista atuam como se já tivesse sido julgada e condenada. Isto denuncia que esta coalizão promove uma farsa, com julgamento de cartas marcadas, de puro formalismo e nada de justiça. É O Golpe serve aos interesses do capital, e tem forte caráter patriarcal e misógino. As elites nunca aceitaram ser governadas por uma mulher. A mídia golpista, aliada da colisão golpista, não aceita que mulheres participem da vida e das decisões políticas do país, nos querem ‘recatadas e do lar’, enquanto propagam as fotos do ministério golpista formado por homens brancos. A violência política contra a Presidenta, vivenciada em todo o processo, expressa um tipo de violência patriarcal que deve ser denunciada e combatida.

O programa da coalizão golpista do governo é uma ponte para o abismo!

Temos críticas profundas a vários aspectos dos programas dos governos Lula e Dilma, porque quisemos e queremos uma guinada à esquerda nestes governos, mas o programa da coalizão golpista, chamado de Ponte para o Futuro, nos conduzirá a uma situação pior que o passado recente. Por trás deste Golpe, está o objetivo de desacreditar e reprimir as lutas por direitos, implementar medidas moralmente retrógradas contra a cidadania de modo geral e retirar qualquer controle estatal à exploração do capital sobre a classe trabalhadora. Em termos de país, o programa desta coalizão é destruir a política de inserção soberana do país no âmbito global, implodir a política de integração regional na América Latina, inviabilizar a cooperação Sul/Sul, retomando a inclusão subordinada do país via acordos de livre comércio e de investimentos alinhados à geoestratégia dos EUA e seus aliados.

A primeira semana de governo da coalizão golpista demonstra que está sendo implantando um programa de políticas públicas que jamais seria aprovado nas urnas. É Golpe.

A vida de nós, mulheres, está ameaçada em autonomia e liberdade pela perda de espaço para as políticas para mulheres, para as políticas de promoção da igualdade racial, de direitos humanos, de juventude, LGBTT, direitos das populações quilombolas e camponesas, pelo ataque aos direitos previdenciários, à política do SUAS e da Assistência Social, aos direitos trabalhistas e à autonomia da comunicação pública; pela entrega dos bens comuns ao capital financeiro internacional, também agente deste Golpe, e, por fim, pela perda de autonomia da Controladoria Geral da União, que agora serve ao governo, mais um Golpe contra o combate a corrupção, motivo alegado para justificar o golpe do impeachment.

Apontamos para as responsabilidades que estão colocados neste momento para o feminismo anticapitalista, antirracista e antipatriarcal: Fortalecer nossa organização para Lutar e Resistir!

O momento é cada vez mais exigente para que os posicionamentos contra o Golpe sejam mais evidenciados e para que as rupturas com este governo interino e ilegítimo sejam também cada vez mais abrangentes e radicais.

O momento exige, mais uma vez, reforçar nossa luta e nossa resistência pela democracia nas ruas, nas redes e em todos os lugares. É hora de articular a luta feminista contra a agenda regressiva e ultraliberal da coalizão golpista, hoje e por quanto tempo for preciso! Não reconhecemos legitimidade neste governo!

Não dialogaremos com governo golpista!
Lutaremos para derrubar o Golpe!
Seguiremos em luta por menos direita na política e mais direitos na lei e na vida!
Articulação de Mulheres Brasileiras, Brasil, 18 de maio de 2016. Uma semana após o Golpe.