MULHERES NEGRAS: EXISTIMOS, RESISTIMOS, EXIGIMOS!!

25 de julho – Dia das Mulheres Negras da América Latina e do Caribe

Dia de Tereza de Benguela – 19ª Edição

Nós militantes da Articulação de Mulheres Brasileiras, movimento feminista, antiracista e anticapitalista , nos somamos a todas as mulheres negras da America Latina e do mundo, para denunciar o Racismo, o Patriarcado e o Capitalismo que tem atingido diretamente a vida das mulheres negras. Hoje é um dia de Luta, mais é também um dia em que juntas prestamos nossa homenagem a todas as mulheres negras que estão se movimentando coletivamente na luta contra o Racismo. Também é o momento de lembrar das mulheres de luta de nosso país, da América Latina e do Caribe, que ao longo de sua trajetória lutaram contra a escravidão, a violência, o estupro e pela sua liberdade e pelo bem viver. Dentre elas, a nossa heroína – a rainha do quilombo Quariterê, do Mato Grosso do Sul – TEREZA DE BENGUELA, líder do século XVIII. A elas e nós muito AXÉ.

Nossa homenagem está traduzida em nossas lutas cotidianas contra o racismo e o patriarcado e especialmente hoje, estamos nas ruas em LUTA contra o RACISMO, o CAPITALISMO e a VIOLÊNCIA acometida contra as mulheres negras brasileiras, latinas e do caribe e pelo bem viver.

Nós somos 49 milhões de brasileiras, e recebemos ainda os menores salários. Somos a maioria da população que está na informalidade, na precarização do trabalho. Aquelas entre 16 e 24 anos têm três vezes mais probabilidade de serem estupradas e duas vezes mais de serem assassinadas que mulheres brancas; e, quando lésbicas, estão mais suscetíveis a estupros corretivos. Além disto, o aborto inseguro e ilegal no Brasil é uma das principais causas de morte materna, afetando mais diretamente as mulheres negras.

Os dados da violência contra as mulheres negras são estarrecedores. Tanto na violência doméstica, como na violência simbólica e na violência e Racismo Institucional. Os feminicídios de mulheres negras aumentaram 54,2% e houve uma queda de 9,8% no total de homicídios de mulheres brancas (Mapa da Violência). As mulheres negras também são atingidas no que temos visto cotidianamente no genocídio dos jovens negros. Seus filhos. O sofrimento dessas mulheres não só é aumentado, mas invisibilizado e desconsiderado no debate público. As mulheres negras com idades entre 16 e 24 anos tem três vezes mais probabilidade de serem estupradas e, quando lésbicas, estão mais suscetíveis a “estupros corretivos”, além de terem duas vezes mais chances de serem assassinadas quando comparadas às mulheres brancas. As mulheres negras são a maioria entre as vítimas fatais de agressão, as que mais morrem pelas mãos do Estado.

Estamos em luta contra a retirada de nossos direitos por parte do atual governo ilegítimo que propõe privatização dos serviços públicos, entrega das nossas riquezas naturais ao capital estrangeiro e que ataca os direitos conquistados, sobretudo, a segurança na velhice que está às portas de ser retirada, evidenciando a face do favorecimento a quem tem muitas riquezas acumuladas, para oprimir e explorar trabalhadoras negras.

As mulheres quando se movem, movem o mundo junto com elas (Angela Davis) E as mulheres negras desde a época da escravidão até os dias de hoje continuam se movendo, lutando e resistindo. Nós mulheres Negras somos guerreiras e temos acumulado um histórico de lutas e resistência desde que nossas ancestrais foram sequestradas do continente africano para serem escravizadas no Brasil. As mulheres negras escravizadas , organizaram fugas, recusaram as investidas dos “senhores”, trabalharam nas ruas para “comprar” a alforria para o outras pessoas escravizadas, e também estiveram de frente na organização nos quilombos, das irmandades e das religiões de matriz africana. Continuar hoje na luta na organização de coletivos de mulheres negras, nos movimentos de mulheres negras, nos movimentos de mulheres antiracista, são expressões de Resistência. Por isso no dia de hoje dizemos:

MULHERES NEGRAS: EXISTIMOS, RESISTIMOS, EXIGIMOS e nos somamos a luta :

Pela Demarcação das Terras Quilombolas

Pelo fim do Genocídio dos Jovens Negros

Pelo fim da Violência contra as mulheres Negras