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Movimentos e organizações sociais latinoamericanos denunciam golpe de estado na Bolívia

A Bolívia vive desde a última semana um cenário de extrema violência e instabilidade política depois que a oposição fundamentalista liderada por Luis Fernando Camacho, respaldada pela Guarda Nacional e pela Defensoria Pública, negaram a reconhecer o resultados do pleito que elegeu o ex-sindicalista e líder indígena Evo Morales novamente à presidência do país. No último domingo (10) Evo se viu obrigado a renunciar ao cargo, junto ao vice-presidente, depois que a Organização dos Estados Americanos (OEA) emitiu um parecer manipulado que instigou o golpe civil-militar ao recomendar a realização de novas eleições.

Na quarta-feira (06), a prefeita de Cochabamba, Patricia Arce, filiada ao partido do presidente Evo Morales, foi sequestrada, teve seus cabelos cortados e foi humilhada publicamente por um grupo de grupo de opositores a Evo Morales. Ela estava na prefeitura, que foi invadida e tomada. Líderes sindicais e trabalhadores de meios de comunicação estatais foram ameaçados. A irmã de Evo teve a casa incendiada, bem como o presidente o Senado, o primeiro na linha sucessória. Mesmo após a renúncia, a casa de Evo Morales foi depredada por aliados da extrema-direita boliviana. Outras figuras políticas ligadas ao ex-sindicalista e aos movimentos sociais, especialmente aos movimentos indígenas, também tiveram suas casas incendiadas.

Organizações de diferentes países do continente tem emitido notas públicas que denunciam o golpe civil-militar na Bolívia. A organização Plurinacional Feministas de Abya Yala, a Coordinadora Latinoamericana de Organizaciones del Campo (CLOC), a Intersindical e o Movimento Nacional de Direitos Humanos, esses dois últimos do Brasil, foram algumas das organizações a se posicionarem diante do atual contexto que volta a ameaçar a democracia na América Latina.

Todas as organizações repudiaram a violência e a influência externa que tem promovido a perseguição de sindicalistas, populações indígenas, mulheres e militantes sociais pela oposição fundamentalista, através de ações terroristas que atentam contra a vida das pessoas que apoiam Morales. A resistência popular foi convocada. Na Argentina, o povo foi às ruas em solidariedade à resistência boliviana.

A declaração da rede de Feministas de Abya Yala destaca o caráter misógino, racista e imperialista do golpe e convoca a resistência para apoiar o diálogo proposto por Evo à oposição:

“Rechazamos el Golpe de Estado, y la reacción racista, misógina, colonial y patriarcal de los comandos cívicos. Rechazamos la injerencia imperialista en Abya Yala, con sus políticas violentas, golpistas, guerreristas. Llamamos a las feministas del continente, a los movimientos de derechos humanos y populares, a apoyar un diálogo que garantice el respeto a la voluntad popular, y a una salida política y pacífica en Bolivia.” Leia a íntegra do posicionamento aqui.

Em trecho do comunicado divulgado, a Coordinadora Latinoamericana de Organizaciones del Campo (CLOC), membros da Via Campesina, denunciam o financiamento externo em neste e em outros golpes que ocorreram nos últimos anos na região:

“Este ataque a la democracia, fue denunciada por el Presidente Evo Morales, la extrema derecha orquesto este golpe con el apoyo del imperio e incluyendo grupos manipulados por las redes sociales y con recursos económicos externos, todos unidos a un formato ya usado en otros países progresistas,” afirma a nota. Leia a íntegra aqui.

A Intersindical, organização de trabalhadores do Brasil emitiu nota em solidariedade ao povo boliviano, dando destaque às denuncias de que homem de confiança do governo Bolsonaro tem influencia direta no golpe.

Com indignação que a Intersindical Central da Classe Trabalhadora, desde o Brasil, manifesta seu repúdio à trama imperialista e oligárquica na Bolívia, que resultou no golpe de estado contra o governo constitucional de Evo Morales. Este golpe foi planejado pelo Departamento de Estado Estadunidense, executado pelos setores da extrema-direita e contou apoio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, sob comando do bolsonarista Ernesto Araújo.” Leia a nota completa aqui.

Já o MNDH Brasil destacou o caráter racista e misógino do golpe na Bolívia, que tem evidenciado a trama de ódio da ultra-direita no continente contra mulheres, indígenas e pobres, que através do discurso fundamentalista cristão, tem atacado diretamente a resistência indígena no país. O MNDH repudiou também a interferência estrangeira na soberania do país.

“O Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH Brasil) se associa ao povo boliviano a quem manifesta a mais profunda solidariedade em razão do desfecho da crise política no país que resultou num golpe de estado que afeta profundamente a democracia e os direitos do povo boliviano, sobretudo dos mais pobres, das comunidades indígenas e das mulheres.” Clique em baixar para ler a nota completa:

Organizações de defesa e promoção de Direitos Humanos da América Latina e Caribe lançaram uma nota coletiva que denunciam, entre outros pontos, a manipulação da Organização dos Estados Americanos (OEA) que irresponsavelmente, criou subsídios para o golpe sem antes garantir a preservação da institucionalidade democrática e de uma transição pacífica através da proposição de um diálogo com a participação de representantes do governo de Evo Morales e a oposição.

Condenamos el irresponsable manejo de la Organización de los Estados Americanos (OEA) al emitir públicamente su informe sin previamente conformar una mesa de diálogo con la participación de las organizaciones políticas del gobierno y la oposición en la búsqueda de garantizar la preservación de la institucionalidad democrática y una transición pacífica. Igualmente es condenable su silencio antela situación de escalamiento de la violencia de fuerzas de la oposición y su no respaldo inmediato al comunicado del presidente Evo Morales anunciando nuevas elecciones y la renovación de los integrantes del órgano electoral.” Clique em baixar para ler na íntegra: