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“Livres e vivas nos queremos” – Um painel sobre os feminismos na América Latina, nesta sexta (31), no Recife.

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Militantes feministas do México, Chile, Guatemala, Bolívia, República Dominicana, Uruguai, Argentina, Paraguai e Peru, que falarão sobre seus referenciais históricos e contemporâneos, nesta sexta, dia 31, a partir das 19h, no SOS Corpo, na Madalena.

Por Paula de Andrade*

O feminismo brasileiro nasceu a partir de uma movimentação social que possibilitou a criação de diversas organizações fundadas na década de 1980, no período da redemocratização do país, e renova-se nos últimos anos por várias ações de resistência. Essas ações do período recente foram articuladas tanto para enfrentar ameaças reais de retrocesso nas políticas públicas para as mulheres, a exemplo do projeto de lei 5969/ 2013, mais conhecido pela mobilização nacional #foraCunha, e também pelo fortalecimento das lutas das mulheres negras, que realizaram em 2015 uma grande marcha nacional (Brasília, 2015), sem falar na crescente incorporação de novas ativistas, que chegam ao movimento com diferentes idades.

Como diz Betânia Ávila, pesquisadora do SOS Corpo, existem as novas em idade, adolescentes ou jovens, que criam novos coletivos ou se aglutinam a organizações já existentes, e também são “novas” as mulheres adultas recém-chegadas ao movimento. Nas duas situações essas novas ativistas podem trazer novas questões ou novos contextos para antigas lutas. O fato incontestável é que esta renovação do movimento feminista brasileiro é visível nas redes e nas ruas.

Se na década de 1980, as organizações feministas brasileiras tinham muitas experiências comuns com nossas “hermanas” de Latinoamérica – entre outras coisas, o fato de muitas terem surgido a partir da de novas formas de organização da lutas sociais na resistência às ditaduras militares que marcaram a região, o que há de comum e de diverso na atualidade? Se nesses países, como aqui, no Brasil, esses grupos eram formados por ativistas que eram universitárias e nascidas em famílias de classe média, algumas vindas da resistência armada, outras recém saídas do exílio forçado ou necessário, pela já citadas ditaduras, o que escreve o contemporâneo feminismo (ou seriam feminismos?) latino-americano a partir de suas palavras de (des)ordem e de suas hashtags?

Estas e outras perguntas sobre a ação feminista na América Latina, seus referenciais históricos passados e contemporâneos, suas lutas compartilhadas, seus traços comuns e suas distinções, estarão no foco de um encontro que acontece no Recife, de 29 a 31 de março, reunindo feministas de dez países latino-americanos.

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Organizado pela Articulacão Feminista Marcosur, a atividade se encerra nesta sexta, 31, com um debate aberto, a partir das 19h, no centro cultural feminista do SOS Corpo, com o tema “Feminismos na América Latina” – um diálogo com ativistas do México, Chile, Guatemala, Bolívia, República Dominicana, Uruguai, Argentina, Paraguai, Peru e Brasil.

De acordo com Verônica Ferreira, da coordenação da Marcosur, o diálogo acontece “ainda nas vibrações dos atos do 8 de março que fizeram o mundo tremer por afirmar que livres e vivas nos queremos””, e terá um momento especial de lançamento do XIV Encontro Feminista da região, previsto para novembro, no Uruguai.

Feminismo Popular – No final dos debates também será lançado o livro “Feminismo popular e lutas antissistêmicas”, de Carmen S. M. Silva, que é leitura indispensável para compreender o feminismo no contexto atual brasileiro, particularmente o capítulo sobre “a força das mulheres e a crise no campo político, que analisa as principais mobilizações das mulheres no Brasil, no período recente.

E quanto à composição do movimento feminista brasileiro, pensando 40 anos atrás, a investigação da autora concluiu que, ao contrário do alardeado na história do movimento, não estavam em sua construção apenas as mulheres de classe média. “As mulheres de classes populares sempre estiveram presentes e agora estão em maior quantidade, organicamente vinculadas e auto-identificadas como feministas. Estavam, portanto, ao longo desses últimos 40 anos. A leitura que se fazia do movimento é que não permitia vê-las”, conclui.

Serviço:
Feminismos na América Latina: um diálogo com ativistas do México, Chile, Guatemala, Bolívia, República Dominicana, Uruguai, Argentina, Paraguai, Peru e Brasil.
– Dia: Sexta, 31 de Março de 2017, às 19h.
– Local: Centro Cultural Feminista do SOS Corpo, Rua Real da Torre, 593 – bairro Madalena, Recife, Pernambuco

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(*) Paula de Andrade é jornalista e integra o coletivo político-profissional do SOS Corpo / Foto: Reprodução/EBC