Cumbre de los Pueblos: Fórum reúne feministas para debater economia

La Cumbre de los Pueblos é uma reunião de representantes de organizações e movimentos sociais de corte socialista de América Latina e Caribe, em que se avaliam e questionam as práticas neoliberais colonialistas dos governos e empresas, promovendo acordos de livre comércio às custas do empobrecimento do sul. As reuniões servem para promover alianças, fazer articulações, definir posições, estratégias e combater o avanço das desigualdades promovidas pelo sistema capitalista, patriarcal e racista. Este ano a reunião aconteceu de maneira paralela à Conferência Internacional da Organização do Livre Comércio (OMC) em Buenos Aires, Argentina. O governo argentino liderado por Macri tem sido ostensivamente violento na repressão aos ativistas que se dizem contrários aos acordos que estão sendo promovidos na Conferência da OMC. Além de ter bloqueado a entrada de diversos representantes do movimento social no país, deteve cerca de 15 pessoas que marchavam hoje pedindo #FueraOMC

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Fórum reúne feministas para debater economia

A primeira mesa tratou da questão do impacto da Organização do Livre Comércio na vida das mulheres. Todas as crises se sustentam no trabalho não remunerado das mulheres. O trabalho não é somente em casa. O trabalho doméstico não se dá somente em casa. O trabalho de cuidado não está valorizado e não se remunera. Às vezes está, às vezes não está remunerado, mas quando se paga, se paga muito mal pelo trabalho de cuidado. Assim as finanças impactam a vida cotidiana, pois o capital se apropria da economia das mulheres, ou seja, se apropria da inteligência laboral e da força de trabalho, colocando elas na trama, mas jogando sobre as mulheres a responsabilidade sobre os trabalhos que não remunera. As finanças colonizam as economia populares das mulheres de forma individualizada, mas também nos territórios. Promove a exploração da vida das mulheres sobre as economias alternativas.

Analba Brazão, da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) e do Instituto SOS Corpo, chamou a atenção para a desigualdade do impacto que isso tem na vida de diferentes mulheres, como as negras, quilombolas, pescadoras, indígenas e trabalhadoras. O livre comércio promove a exploração, mas ela acontece de maneira desigual entre as mulheres. Além do trabalho não remunerado das mulheres, a economia se sustenta no trabalho informal das mulheres negras, no trabalho ilegal dos jovens negros que estão sendo no exterminados pela violência policial da guerra às drogas, no invasão de comunidades quilombolas e assentamentos rurais, no extermínio dos povos originários e no ódio à população lgbt.

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Lourdes Huanca, militante da Via Campesina. Foto: Via Campesina

Economia é resistência

A indígena Lourdes Huanca, militante da Via Campesina do Peru, inicialmente não estava convidada para a mesa, mas dada a falta de indígenas e camponesas representadas nos debates, ela foi convidada para falar.

Lourdes começou se apresentando dizendo que era Feminista indígena popular e socialista. Ela trouxe a denúncia do machismo entre os povos indígenas, pontuou a igreja como nossa pior inimiga e dos povos indígenas. Denunciou a economia hegemônica em detrimento da economia de troca, trazendo essa experiência dos povos originários e defendendo-a como uma ferramenta necessária para enfrentar o capitalismo neoliberal, além da articulação da luta entre campo e cidade. Lourdes defendeu ainda que, para enfrentar o patriarcado e o capitalismo, nós mulheres não podemos nos maltratar ou deixar de nos autocuidar.

Segundo a fala da integrante do Coletivo de Educação Popular Pañuelos en Rebeldía e do movimento, Claudia Korol, para construir de novas alternativas econômicas e políticas é necessário autonomia, é preciso que nossas formas de falar sejam reconhecidas. Ressaltou que essas alternativas tem que ser construídas com os feminismos negros, indígenas, campesinos e com o feminismo popular, onde todos estes femininos podem estar inclusos.

Umas experiências impactante foi a das mulheres curdas. O povo curdo não tem espaço e recursos para lutar contra as empresas e as próprias experiências da cooperativa também estão roubando o trabalho das mulheres. Elas são contra as políticas do Estado e defendem uma política econômica alternativa. Assim, dentro da zona de guerra, criaram um modelo alternativo que não se restringe somente à economia formal/informal, mas tem como objetivo revolucionar também a economia doméstica e reprodutiva. É que, para elas, a economia não é só dinheiro; a economia é mental também. As mulheres curdas entenderam que a luta é também contra o roubo do pensamento, do tempo, do saber. Por isso, as mulheres curdas estão também lutando pra fazer a mudança dentro das próprias casas. Para elas, a revolução econômicas das mulheres passa também por uma revolução mental e cultural.

 

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Assembleia Feminista. Foto: AMB-Gê

Rumo a uma #GreveDeMulheres no #8M

As companheiras do NiUnaMenos, da Articulação de Mulheres Brasileiras e de vário outros movimentos feministas da América Latina e Caribe estavam empenhadas promovendo diálogos sobre a construção de uma Greve Internacional de Mulheres. Pautadas pelo desafio acordado na Plenária do 14º Encontro Feminista Latino Americano e Caribenho (14Eflac) que aconteceu em novembro no Uruguai: trazer para o debate e para a construção da greve o tema do trabalho formal, informal, produtivo e reprodutivo, incluindo todos como pauta de uma greve no 8 de março, realizando-o como um processo de articulação entre diversos movimentos feministas na América Latina e no mundo.

Na mesa que reuniu mulheres sindicalistas do Uruguai, Argentina, Brasil e Equador e apresentaram experiências sobre o mundo do trabalho formal e informal houve acordo sobre construir uma greve de mulheres no 8 de março. “As sindicalistas afirmaram compromisso das centrais sindicais para com a construção por dentro das centrais de cada país de uma greve de pelo menos uma hora no dia 8 de março”, contou Analba Brazão. A indígena, trabalhadora rural e militante da Via Capesina do Peru, Lourdes também afirmou compromisso de articular a Greve de Mulheres, desde as articulação entre campo e cidade estejam acontecendo. Claudia Korol, do movimento feminista popular Abya Yala garantiu que vai investir na construção da greve de mulheres na Assembleia do movimento, pautando também a questão do trabalho doméstico.

*Matéria produzida com informações das militantes da Articulação de Mulheres Brasileiras, Analba Brazão, Nelita, além de foto da AMB-Gê e Via Campesina