Democracia, um conceito em disputa

Censurado por ter criado e oferecido uma disciplina sobre o Golpe de 2016 e o futuro da Democracia no Brasil, o professor da UNB, Luiz Felipe Miguel, é o convidado do SOS Corpo para debater o tema FEMINISMO e DEMOCRACIA com a educadora do Instituto, Carmen Silva, e a doutora em sociologia da UFPE, Maria Eduarda da Mota Rocha. O evento acontecerá sexta, 6 de abril, a partir das 18h, no Centro Cultural Feminista do SOS Corpo, na Madalena.

EVENTO - CCF - democracia

Democracia: um conceito em disputa

Debate sobre feminismo e a questão democrática traz professor da UnB, Luiz Felipe Miguel.

Capitalismo globalizado, ascensão mundial da direita, genocídio da população negra, golpes jurídico-parlamentar-político-midiáticos na América Latina, austeridade econômica, encarceramento em massa, perseguição a professores de ensino médio e universitário, criminalização dos movimentos sociais e lideranças de esquerda, intervenção militar, assassinatos políticos: o que nos leva a crer que ainda vivemos uma democracia no Brasil?

Os governos supostamente democráticos seriam os encarregados de gerir as tensões entre interesses do mercado e o bem-estar social; mas passam a ser usados para legitimar a superioridade do mercado e, no processo, transformam-se eles próprios num mercado, através dos mecanismos de corrupção, lobbies e financiamento privado de campanhas eleitorais e partidos, por exemplo.

A democracia está de tal modo descaracterizada que nem se pode considerar como tal. Essa é a posição do professor de ciência política da Universidade de Brasília (UnB), Luis Felipe Miguel: de que vivemos um regime autoritário que se disfarça de democracia. Ele foi um dos primeiros professores universitários a sofrer perseguição política por ter criado a disciplina “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil” e é um dos convidados do SOS Corpo para debater a questão democrática no Centro Cultural Feminista, dia 6 de abril a partir das 18h.

Para o professor, democracia é um conceito em disputa. Enquanto à direita a democracia se resume a um procedimento de legitimação da autoridade política por meio do voto popular; para as esquerdas o regime democrático precisa garantir possibilidades reais participação e autoridade efetiva às pessoas comuns, além de prover condições materiais e simbólicas para isso se efetivar. Na ocasião do debate, Luiz Felipe Miguel também irá fazer o lançamento seu novo livro Dominação e Resistência, que apresenta uma discussão sobre o sentido da democracia e sua relação com os padrões de dominação presentes na sociedade.

Para nós, feministas anticapitalistas, antirracistas e anti-patriarcais, a democracia deve ir além da institucionalidade. Democracia, para nós, significa o direito de todas as pessoas decidirem sobre os rumos coletivos – seja de sua cidade, seu povo ou seu país. Para que seja realidade no mundo, é preciso que exista nas nossas vidas. Entretanto, ao invés de democracia, experimentamos uma dominação material e simbólica que opera através da produção e reprodução das desigualdades sociais e mantem as mulheres, a população negra e a classe trabalhadora a parte das decisões políticas que impactam suas vidas. Essas desigualdades aparecem em diferentes níveis e dimensões, expressas no racismo, divisão sexual do trabalho, empobrecimento, situação crítica de violência, sexualidade vivenciada como um sistema de controle dos corpos femininos, baixa representatividade e participação desses sujeitos na arena política institucional. Por isso levantamos que a democracia ainda é um desafio para as mulheres, população negra e classe trabalhadora.

A educadora do SOS Corpo, Carmen Silva, irá contribuir com a questão enfatizando como o feminismo, pulsante nos últimos anos, tem se constituído como força política na construção de novos horizontes utópicos para a democracia. O debate conta ainda com a presença da socióloga e pesquisadora em comunicação da Universidade Federal de Pernambuco, Maria Eduarda da Mota Rocha, convidada para analisar o lugar ocupado pela mídia e o perigo da concentração dos meios de comunicação para a efetivação da democracia no mundo e nas nossas vidas.

FOLDER A4 - CCF - democracia

Debate: Feminismo e a questão democrática e
Lançamento do livro: Dominação e Resistência, de Luiz Felipe Miguel
Sexta-feira, 6 de abril, a partir das 18h
Centro Cultural do Instituto Feminista para a Democracia – SOS Corpo
Rua Real da Torre, 593, Madalena, Recife

 

 

maria eduarda rocha

A professora Maria Eduarda da Mota Rocha é graduada em Ciências Sociais e em Comunicação, além de ter mestrado e doutorado em Sociologia pela USP. Sua tese “A Nova retórica do capital: a publicidade brasileira em tempos neoliberais” recebeu o prêmio Jabuti em 2011. Ela tem experiência nas áreas de Sociologia da Cultura, da Comunicação e do Consumo, com ênfase nos temas publicidade, cultura de consumo, mídia e democracia.

 

carmen silva

Para nós, feministas anticapitalistas, antirracistas e anti-patriarcais, a democracia deve ir além da institucionalidade. Democracia, para nós, significa o direito de todas as pessoas decidirem sobre os rumos coletivos – seja de sua cidade, seu povo ou seu país. Para que seja realidade no mundo, é preciso que exista nas nossas vidas. A educadora do SOS Corpo, Carmen Silva, irá contribuir com a questão enfatizando como o feminismo, pulsante nos últimos anos, tem se constituído como força política na construção de novos horizontes e utopias para a democracia.

 

luis felipe miguel

Luis Felipe Miguel, doutor em Ciências Sociais pela Unicamp, professor titular do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, criou a disciplina “O golpe de 2016 e o futuro da Democracia no Brasil”, que foi censurada pelo Ministro da Educação, Mendonça Filho.

Ele fará o lançamento do seu novo livro Dominação e Resistência: desafios para uma política emancipatória. No livro, o professor defende que “a democracia não é um ponto de chegada, e sim um momento de um conflito que se manifesta como sendo entre aqueles que desejam domá-la, tornando-a compatível com uma reprodução incontestada das assimetrias sociais, e quem, ao contrário, pretende usá-la para aprofundar contradições e avançar no combate às desigualdades. Portanto, o conflito na democracia é um conflito também sobre o sentido da democracia, isto é, sobre quanto ela pode se realizar no mundo real como projeto emancipatório e quanto as instituições vigentes contribuem para promovê-la ou para refreá-la”