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Debate sobre religião e Estado marca a roda de diálogo “Fundamentalismo: a pedra no caminho da nossa liberdade e autonomia”

*Por Gabriela Falcão

Dezenas de mulheres estiveram presentes na tarde da quarta-feira (13) na roda de diálogo “Fundamentalismo: a pedra no caminho da nossa liberdade e autonomia”, que integrou a programação de atividades autogestionadas da Marcha das Margaridas. Facilitada pela Articulação de Mulheres Brasileiras, foi marcada por uma vasta discussão sobre como o fundamentalismo religioso tem interferido na vida das mulheres. Segundo Jolúzia Batista, uma das organizadoras da roda, o momento era de dialogarem como o fundamentalismo tem se materializado na vida das mulheres e tem atuado no retrocesso de seus direitos através, por exemplo, da reforma da previdência, que quer recondicionar as mulheres ao papel de subalternidade e doméstico do cuidado.

Para Lara Buitron, que estava presente e que integra o coletivo feminista pernambucano Mulesta, “O papel desse espaço é justamente fazer as mulheres pensarem como a religião não pode estar atrelada ao Estado. Os fundamentalismos estão aí a favor do capital e têm oprimido a gente. Eu acho que essa também é uma oportunidade da gente pensar sobre a autonomia dos nossos corpos porque a culpa cristã é institucionalizada”.

Roda de diálogo sobre fundamentalismos aconteceu na tarde do dia 13, durante a Marcha das Margaridas. Foto: Cobertura Colaborativa AMB.

No intuito de provocar o debate, ativistas de áreas distintas fizeram uma análise dos fundamentalismos a partir de suas áreas de atuação. São elas: ativismo negro, religião, psicologia, pesquisa sobre aborto e ativismo em comunicação. Foi colocado como a cultura de ódio vivida atualmente no Brasil tem estado atrelada ao cristianismo e que a pauta religiosa tem estado atrelada à econômica para favorecer determinados projetos políticos que beneficiam uma minoria. A integrante da Organização Não-Governamental Católicas pelo Direito de Decidir, Rosângela Talib, pontuou que, nesse momento no país, podemos pensar em como retribuir todo esse ódio com afeto.

A pastora Romi Bencke, em alusão ao que o presidente Jair Bolsonaro falou de indicar para composição do Supremo Tribunal Federal um ministro terrivelmente evangélico, disse que ela e outras que têm travado o debate sobre o fundamentalismo são terrivelmente evangélicas feministas. Ela reitera que: “Pastora não é ser antimulher, não é ser anti movimento LGBTI. Tudo isso que falam que tem nome na tradição cristã e ataca o outro é o anticristianismo e a gente precisa denunciar isso como anticristianismo em claro e bom som. A prática de ódio, que legitima a violência contra a mulher, que nega que as mulheres tenham direito ao aborto seguro e legal, esse cristianismo é contra Jesus Cristo”. As falas foram seguidas de debate entre as participantes.

*Gabriela Falcão é jornalista e integra a Articulação de Mulheres Brasileiras. Este texto faz parte de cobertura colaborativa realizada pela Coletiva de Comunicação da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), em parceria com Universidade Livre Feminista (ULF) e Blogueiras Feministas, organizada especialmente para cobrir a Marcha das Mulheres Indígenas, a Marcha das Margaridas e o lançamento da Frente Parlamentar Feminista Antirracista com Participação Popular.

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Expediente: Coordenação Geral:Cris Cavalcanti (PE); Texto: Fran Ribeiro (PE), Gabriela Falcão (PE), Carmen Silva (PE); Laura Molinari (RJ), Carolina Coelho (RJ), Raquel Ribeiro (RJ), Angela Freitas (RJ), Rosa Maria Mattos (RJ), Milena Argenta (DF) e Priscilla Britto (DF); Fotos:Carolina Coelho (RJ) Fran Ribeiro (PE);Vídeo:Débora Guaraná (PE), Milena Argenta (DF) e Cris Cavalcanti (PE); Edição:Coletivo Motim; Diagramação: Débora Guaraná (PE), Bibi Serpa (RJ), Cris Cavalcanti (PE) Sites e Redes Sociais: Cristina Lima (PB), Thayz Athayde (CE), Cris Cavalcanti (PE), Analba Brazão (PE); Produção: Mayra Medeiros (PE) e Masra Abreu (DF).