Campanha do plebiscito para reforma do sistema político está nas ruas

 

Por Ludimilla Carvalho

 

Até o próximo domingo (07) muita gente está engajada na campanha do Plebiscito Popular por para responder a uma única pergunta: “Você é a favor de uma Constituinte Exclusiva e Soberana para a Reforma do Sistema Político?” A ideia é que o plebiscito popular seja capaz de forçar a realização de uma constituinte.

O Fórum de Mulheres de Pernambuco (FMPE) participa ativamente da mobilização através de urnas itinerantes, que estão sendo levadas pelas militantes do Fórum a pontos de grande circulação de pessoas. A receptividade da população tem sido bastante variada e curiosa.

No Recife e Região Metropolitana, o FMPE atua desde segunda-feira (01) com 15 urnas volantes, distribuídas em diversos bairros e comunidades, que são levadas a feiras, paradas de ônibus, escolas, e até de porta em porta.

Paulista
Venuse Braga, militante de Paulista, diz que lembra processos anteriores, como a votação da Alca (plebiscito popular sobre a entrada do Brasil no bloco comercial liderado pelos Estados Unidos, realizado em 2002), fazendo uma analogia com a participação popular de agora. Ela tem levado a urna do FMPE a bairros do centro de Paulista, casas de parentes e conhecidos, ao trabalho, e até nos ônibus, quando é possível, aborda eleitores e eleitoras para votar.

Olinda
Segundo Isis Braz, em Peixinhos, comunidade de Olinda, a população tem associado a campanha com um movimento de crítica. Ela acredita que as pessoas estão descontentes com a política, o que explica esse tipo de associação. Ainda de acordo com a integrante do FMPE, a urna volante circula pela comunidade e locais como postos de saúde, durante a manhã, e à noite, a abordagem é feita em escolas. Para esta sexta-feira (05), a previsão é levar a urna de Peixinhos para o Terminal Integrado de Xambá.

Jaboatão dos Guararapes
Tairine Ferreira, que atua em Jaboatão dos Guararapes, diz que para explicar o sentido do plebiscito, cita o impacto causado pelas manifestações de junho – desencadeadas inicialmente pelo aumento das passagens de ônibus – e que graças à pressão da sociedade, resultaram na redução das tarifas. Para ela, essa é uma boa maneira de esclarecer a importância da mobilização social, e no âmbito do movimento de mulheres, falar por exemplo, sobre a disparidade entre a presença de mulheres atuando em vários espaços da sociedade, e a baixa representatividade delas na política.

Recife e RMR
No Sindicato das Trabalhadoras Domésticas do Estado de Pernambuco, localizado no centro do Recife, a mobilização para a votação é feita em paralelo ao atendimento diário do sindicato. Segundo Luiza Batista, presidente do sindicato, depois de receberem as orientações trabalhistas, a questão do plebiscito é abordada, citando a Lei da Ficha Limpa, questionando se as pessoas concordam que as campanhas eleitorais sejam financiadas por empresários, e dizendo que a reforma política quer discutir esses pontos. “Quando a gente pergunta: se olharmos para as bancadas do congresso, quantos representantes dos trabalhadores estão lá? Aí as pessoas já votam” diz ela.

Já Maria Bernadete Vieira, que mora em Águas Compridas, e além deste, visitou os bairros de Nova Olinda e Ibura, uma dificuldade é que muitas pessoas não sabem o que significa o plebiscito ou uma constituinte. “Quando a gente fala da reforma política eles dizem: pra quê isso? Aí eu digo você está satisfeito com essa politica que tá aí? É pra mudar isso…” explica.

O Plebiscito Popular segue até domingo (07) em todo o país. Em Pernambuco, segundo informações do comitê estadual, são mais de 150 pontos de votação, distribuídos em 60 municípios. Também é possível registrar o voto na internet, através do site http://www.plebiscitoconstituinte.org.br/.