Semeando pedagogia e resistência feminista

Para alimentar o fogo das revoluções necessárias, SOS Corpo promove mini-curso e conferência aberta ao público com Claudia Korol, educadora popular argentina sobre experiências em formação feminista e desafios atuais para o movimento de mulheres na América Latina.

Berço de um movimento NiUnaMenos que se espalhou pela América Latina, a Argentina expressa uma força feminista potente na atualidade e também historicamente. Desde a ditadura militar dos anos 60 e 70, quando milhares de pessoas foram torturadas e mortas, as mães dos desaparecidos protestaram em caminhadas na Praça de Maio reivindicando o paradeiro de seus filhos. Elas formaram uma grande voz para a queda dos militares ao denunciar os abusos de direitos humanos cometidos. Até hoje, essas mulheres se organizam nos movimentos Mães da Praça de Maio e Avós da Praça de Maio.

A atual coordenadora da equipe de educação popular da Universidade Popular Mães da Praça de Maio, a argentina Claudia Korol, viveu de perto a realidade das ditaduras na América Latina. Na década de 80, como militante estudantil, participou das brigadas juvenis de solidariedade com a Nicarágua e Chile. Militante, ativista e feminista, ela é educadora popular e membra da organização Pañuelos en Rebeldia, coletivo que trabalha com formação a partir da pedagogia feminista, decolonial e anticapitalista.

Convidada do SOS Corpo para ministrar o mini-curso Caleidoscópio sobre pedagogia feminista, Claudia Korol irá compartilhar, nas tardes do dia 26 e 27 de fevereiro, as lições aprendidas sobre educação popular, educação política feminista e iniciativas de ação participativa. Ela também irá conversar sobre o momento atual do feminismo na Argentina e como alimentar o fogo das revoluções necessárias com as militantes pernambucanas na noite do dia 26, no Centro Cultural Feminista do SOS Corpo a partir das 19 horas.

 

CALEIDOSCOPIO - FORMAÇÕES FEMINISTAS - evento fb-7

Conferência aberta com Claudia Korol

O feminismo na Argentina: organização e resistência nas ruas
https://www.facebook.com/events/2062622043979378/
Quando? Segunda-feira, 26 de fevereiro, 19h às 21h
Onde? Centro Cultural Feminista SOS Corpo
Endereço? Rua Real da Torre, 593, Madalena – Recife – PE
Informações: (81) 3087.2086

Curso Caleidoscópio | Semeando a Pedagogia Feminista

Desafios para formação política entre mulheres nos movimentos sociais
Intercambio de experiências de formação entre mulheres
https://www.facebook.com/events/144883169512086/
Convidadas: Claudia Korol (Argentina)
Quando? Segunda e terça-feira, 26 e 27 de fevereiro
Horário? 14 às 18 horas
Onde?
Centro Cultural Feminista SOS Corpo
Endereço? Rua Real da Torre, 593, Madalena – Recife – PE
Inscrições: https://goo.gl/forms/RgTnhKCOAlwZ77gu2
Doações Solidárias: Sugerimos uma contribuição de R$20,00 para garantia da vaga no curso e custeio das despesas de produção do curso e conferência.
Informações: (81) 3087.2086

 

Pañuelos en Rebeldia

Trecho da nota do Pañuelas en Rebeldia em ocasião do 13º Encontro da Rede de Educadorxs Populares realizado em Rosário (Argentina) nos dias 16 e 17 de setembro de 2017

“Pensar a realidade coletivamente. Pensar a realidade não como analistas, mas como parte dela. Compreender os retrocessos, animar-se para dialogar com as diferenças. Consolidar os coletivos. Escapar do individualismo e da vida mercantilizada que só se realiza no consumo. Debater as responsabilidades. Não vivê-las como culpa, mas como parte de compromissos e desafios assumidos para mudar o mundo. Reafirmar compromissos de luta, de organização e de solidariedade. Multiplicar a memória insurrecta.

Reafirmar a dialética como forma de entender o movimento. Não há fim da história, nem situações imutáveis. Nem tudo é avanço, nem tudo é progresso. As contradições, os contratempos, fazem parte da nossa caminhada. E nós, nós, somos uma marca na estrada. As coisas que nos acontecem acontecem com nossa intervenção.

Sinta a realidade. Senti-la em nossa pele, em nossos desejos, em nossas frustrações, em nossas rebeliões.

Acredite na revolução. Não como uma bandeira, mas como uma ação diária. Viva a revolução. Não como proclamação, mas como um exercício para dar vida todos os dias. Pense na revolução. Não na maciez das salas de aula ou dos escritórios dos funcionários, mas das necessidades daqueles que inventam maneiras de resistir, de sobreviver e de criar laboratórios de poder popular onde a soberania alimentar é cozida, cuidado é tomado, recuperado e defendido territórios terrestres e territórios corpóreos, onde a criminalização da pobreza é confrontada e a educação popular e a comunicação popular são ensaiadas como formas de renomear as coisas e ousar a aventura de um conhecimento que nasce da solidariedade e da ação coletiva.”

 

 

Claudia Korol

Trecho de entrevista concedida a El Desconcierto

– Es interesante cómo haces dialogar al feminismo con el anticolonialismo, algo propio de nuestros países en América Latina, y además con el marxismo, una corriente que no se caracteriza precisamente por ser feminista.
– 
 Ahora como que empiezan a haber marxis-mos, feminis-mos y anticolonialis-mos. Yo me reconozco dentro de una vertiente que las asume las tres. El marxismo en la dimensión de la lucha socialista donde, como dicen las campesinas del movimiento sin tierra, sin feminismo no hay socialismo. Nosotras decimos que sin socialismo no hay feminismo, porque la realización de la plena libertad de las mujeres no se puede dar en el marco del capitalismo. Reconociendo nuestras raíces, estamos en un territorio donde el capitalismo y el patriarcado se establecieron a partir de la conquista. La lógica que relaciona el colonialismo, el capitalismo y el patriarcado está entrelazada, es un mismo sistema de múltiples opresiones y, cuando hablamos de los cuerpos concretos de las mujeres, están esas opresiones. Es más que un debate entre teorías, lo relacionamos con una práctica y una experiencia. En la Argentina estamos tan conmocionadas por Santiago Maldonado. Las compañeras del Ni Una Menos están diciendo de hacer una asamblea en El Bolsón, que es donde está el Lof Cushamen, donde desaparecieron a Santiago. Son todas las mismas luchas y somos las feministas las que vamos a ir ahí, pensando que la desaparición tiene que ver con el intento de frenar la lucha del pueblo mapuche, que está recuperando tierras de Benetton y defendiendo el derecho al territorio. Para nosotras feministas, el territorio y el cuerpo son dimensiones de nuestra lucha, entonces nos parece natural estar ahí, como también estar en la carpa de Pepsico con las trabajadoras que ocupan su empresa y están resistiendo las políticas de precarización laboral. No tenemos unos pocos “temas de mujeres”, son todos nuestros temas y ahí es donde se relacionan en la lucha concreta. Si es una lucha anticapitalista porque estamos en Pepsico, nos va a servir el marxismo para analizar qué está pasando en el marco de esta etapa del capitalismo y nos sirve para pensar que las mujeres de Pepsico tienen una realidad particular en relación a los varones. Y así vamos hilando las reflexiones.

– ¿Y qué significa dar esas luchas desde los cuerpos y el territorio?
– 
Estamos en una guerra contra los cuerpos de las mujeres. Esa guerra nosotras la tenemos que dar en el territorio más que en la propaganda. La campaña hay que hacerla en los medios, pero quienes conocen cómo funciona la red son las mujeres del territorio. Dónde está el tipo o los grupos vinculados a las redes de trata o al narco, cómo juega la policía del territorio en alianza con eso, por dónde las lleva, cuáles son los bares donde funciona. Eso en un territorio se sabe y no se dice por seguridad, por miedo. Tenemos que encontrar un modo para poder recuperar a las pibas que nos desaparecen. Es un trabajo que no da prestigio, no figura y mejor que no lo haga, pero que es necesario. En las escuelas, las maestras o profesoras saben que si las chicas faltan lunes y viernes es que están siendo captadas para alguna de esas redes porque son los días que funcionan. Ese tipo de cosas se conoce cuando hay trabajo territorial, de organización y relación con las mujeres para construir estrategias que hoy más que nada es sobrevivencia, que no nos maten, pero esperamos que sea para vivir y vivir bien.