Ato Inter-Religioso por Marielle Franco em Recife

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*Publicado originalmente por Frente Povo Sem Medo e #partidA aqui

No dia 14 de março, Marielle Franco e Anderson Pedro Gomes foram assassinadas (os) após uma atividade política realizada por jovens negras, parte do calendário de mobilizações dos 21 dias de ativismo contra o racismo. O nosso luto não é só por Marielle ser uma mulher negra, militante com histórico de luta admirável, que também a legitima enquanto figura pública e uma das vereadoras mais votadas e atuantes pelo PSOL-RJ. Marielle, socióloga, mestranda em Administração Pública, da Favela da Maré, da luta coletiva, comprometida com os direitos humanos, sociais e a laicidade do estado que garante que as diversas religiões possam VIVER e se expressar.

É um luto e uma luta coletiva que cresce porque ela e Anderson são 2 entre tantas(os) de nós que somos histórica e cotidianamente executadas(os) por esse sistema que não nos serve. Sistema capitalista esse que conta com o machismo e o racismo para manter as coisas do jeito que estão, mesmo diante da nossa luta e resistência. No entanto, está mais do que na hora de ACREDITARMOS no nosso potencial de MOBILIZAÇÃO, ORGANIZAÇÃO, LUTA e SUPERAÇÃO destas condições que nos são impostas.

Em 2015, derrubamos Eduardo Cunha e também conquistamos a lei que alterou o código penal para incluir mais uma modalidade de homicídio qualificado, o feminicídio. Lei assinada pela primeira presidenta do país que passou por um processo de golpe sendo “substituída” por um homem sem histórico de luta e com um projeto ideológico contrário aos 99% de pessoas que vivem, trabalham e ocupam este país.

Em 2016, tivemos a mobilização das mulheres negras levando cerca de 40.000 mulheres para marchar em Brasília reividincando demandas históricas da nossa população negra. Ainda em 2016, reacendemos o “espírito” e a organização feminista em nível internacional com nossa solidariedade com as companheiras e os companheiros dos EUA que revisitam tempos Temerosos com o que a vitória de Trump. Solidariedade esta que ultrapassa fronteiras.

Além disso, tivemos mais de 1.000 escolas e cerca de 80 universidades ocupadas contra a PEC 241, que concretiza o não investimento em educação por 20 anos. Durante estas ocupações, percebemos o quão é necessário a juventude, sobretudo as mulheres jovens se organizarem para construir a história pelas suas próprias mãos. Mãos que se erguem simbolizando as lutas. Já 2017, foi um ano marcado pela maior greve geral dos últimos tempos, que só foi possível acontecer graças a potência que é o 8 de março, dia internacional de luta das mulheres.

Nesta terça-feira (20), chamamos todas e todos para um ato político de resistência e luta, concentrando-se às 16h na Praça do Diário em Recife, terminando com um ato inter-religioso.

Façamos com que o dia 20 se torne um dia nacional e internacional de atos de luta e resistência! Nós somos porque você foi. Marielle vive! Nós? Nós somos sementes plantadas e firmes!