Ativistas têm momento de autocuidado e cuidado na programação da Marcha das Margaridas

*Por Gabriela Falcão

Em meio a milhares de pessoas circulando pelo Pavilhão de Eventos do Parque da Cidade, havia a possibilidade de desfrutar de um momento para exercitar o autocuidado e debater sobre o seu significado junto à noção de cuidado entre ativistas. Numa conjuntura perversa e de culto ao individualismo, práticas desse tipo parecem não ter espaço no dia a dia de diversas demandas de sobrevivência. Para a integrante da Articulação de Mulheres do Amapá, Vanúbia Tavares, “Essa roda a gente sempre faz no Amapá. Reuniu, tem roda de conversa. Brincou, sorriu, tem roda de conversa. Hoje, é uma injeção de renovação para, amanhã, estar firme na Marcha. A gente pegou quatro dias de viagem, então, estamos muito cansadas”. Graça Brazão, do mesmo movimento, complementa que é uma ideia de acolhimento e de fortalecimento da autoestima para as mulheres.

Participantes tiveram orientações sobre autocuidado. Foto: Cobertura Colaborativa da AMB.

A roda, que aconteceu dentro da programação autogestionada da Marcha das Margaridas no dias 13 de agosto, teve momentos de automassagem e de meditação guiada para que começassem a falar sobre o que o cuidado e o autocuidado significam para cada participante e qual a sua importância. A partir de uma abordagem individual, passou-se à dimensão coletiva, de pensar como os movimentos sociais inserem essas questões no seu cotidiano de atuação e percebeu-se como o fortalecimento individual acaba por fortalecer a luta coletiva, já que envolve também questões de confiança e de construção em comum. Foi levado um exemplo de como uma das ativistas se sentia segura em dormir naquele local, rodeado de pessoas desconhecidas, porque sabia que havia mulheres prestando atenção ao redor a seus receios Falou-se também sobre a ideia de território está relacionada ao debate do cuidado. “Nesse momento, está todo mundo se sentindo muito adoecido, muito cansado e é muito importante construir isso. A gente falou muito da necessidade de ter espaços de escuta dentro do nosso movimento”, pontua Sophia Branco, integrante da Articulação de Mulheres Brasileiras.

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*Gabriela Falcão é jornalista e integra a Articulação de Mulheres Brasileiras. Este texto faz parte de cobertura colaborativa realizada pela Coletiva de Comunicação da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), em parceria com Universidade Livre Feminista (ULF) e Blogueiras Feministas, organizada especialmente para cobrir a Marcha das Mulheres Indígenas, a Marcha das Margaridas e o lançamento da Frente Parlamentar Feminista Antirracista com Participação Popular.

Expediente: Coordenação Geral: Cris Cavalcanti (PE); Texto: Fran Ribeiro (PE), Gabriela Falcão (PE), Carmen Silva (PE); Laura Molinari (RJ), Carolina Coelho (RJ), Raquel Ribeiro (RJ), Angela Freitas (RJ), Rosa Maria Mattos (RJ), Milena Argenta (DF) e Priscilla Britto (DF); Fotos: Carolina Coelho (RJ) Fran Ribeiro (PE); Vídeo: Débora Guaraná (PE), Milena Argenta (DF) e Cris Cavalcanti (PE); Edição: Coletivo Motim; Diagramação: Débora Guaraná (PE), Bibi Serpa (RJ), Cris Cavalcanti (PE) Sites e Redes Sociais: Cristina Lima (PB), Thayz Athayde (CE), Cris Cavalcanti (PE), Analba Brazão (PE); Produção: Mayra Medeiros (PE) e Masra Abreu (DF).