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“A luta feminista pela legalização do aborto como parte da luta por liberdade, autonomia e direitos reprodutivos é mundial.”

Maria Betânia Ávila – “Na Polônia, mulheres lutam contra o retrocesso das leis, já restritivas, de acesso ao aborto legal.  Greve de um dia e milhares de mulheres nas ruas da capital do país, fizeram o comércio, as universidades e as repartições públicas fecharem suas portas. A luta feminista pela legalização do aborto como parte da luta por liberdade, autonomia e direitos reprodutivos é mundial. Nós, solidárias às mulheres polonesas, podemos também nos inspirar na sua capacidade de mobilização para avançarmos na nossa luta no país.”

Extraído da Agência Patrícia Galvão  (originalmente publicado na Folha de São Paulo)

Atualmente tramita no Parlamento polonês um projeto de iniciativa popular que busca proibir totalmente a interrupção voluntária da gravidez. Milhares de mulheres na Polônia vestiram-se de preto e boicotaram o trabalho nesta segunda-feira (3) para protestar contra um projeto de lei que proíbe totalmente o aborto no país.

polonia aborto

A greve obrigou lojas, escritórios do governo, universidades e escolas a fecharem as portas.

Para o dia de ação, apelidado de “Black Monday” [segunda negra], as mulheres vestiram roupas de cor escura em um símbolo de luto pela perda dos direitos reprodutivos.

Atualmente tramita no Parlamento polonês um projeto de iniciativa popular que busca proibir totalmente a interrupção voluntária da gravidez. Mulheres que tenham passado pelo procedimento poderão ser punidas com cinco anos de prisão. Médicos que tenham feito assistência também poderão ir para a cadeia.

Críticos da proposta dizem que gestantes que tiveram aborto espontâneo também poderiam ser investigadas, uma vez que os sintomas são parecidos com o aborto deliberado.

O país já tem uma das leis de aborto mais restritivas da Europa e pesquisas de opinião mostram pouco apoio a um diploma ainda mais rigorosa. De maioria católica, a Polônia permite hoje o aborto legal apenas em caso de estupro, incesto, problemas graves com o feto e sério risco à saúde da mulher grávida.

Foto: Slavomir Kaminsky/via Reuters