A hora é de Resistência!

Por Mércia Alves, educadora do SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia, ativista do Fórum de Mulheres de Pernambuco (FMPE) e Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB).

Estamos na semana decisiva para a história política brasileira. Os rumos das urnas definirão a luta em torno de um projeto de país, isso será parte da nossa resistência e que extrapola que os marcos do outubro das eleições, mas que, dialeticamente, tem neles um momento importante do confronto político entre democracia e barbárie. Prova disso é a coalizão de forças poderosas, que investem na tentativa de determinar a qualquer custo o resultado das eleições presidenciais em favor do candidato de extrema direita, “o coiso”, neste pleito de 2018, e que é fundamentalmente formada pelos grupos de poder que dominam o capital financeiro, o agronegócio, a indústria armamentista, as igrejas que empresariam a fé, os grandes meios de comunicação, setores militares e do judiciário, e mais outros com menos poder e menos visibilidade mas que funcionam como parte da sustentação desse bloco.

Vivemos tempos difíceis e que apontam para que diariamente pensemos sobre este caldo de cultura conservador que bate e adentra em várias dimensões da nossa vida pública e privada. No última sábado (29/09), milhões de pessoas foram às ruas mobilizadas pelo movimento de mulheres para dizer #Elenão! Era um não à expressão encarnada do fascismo, racismo, misoginia, lesbohomotransfobia, e a todo um retrocesso que a direita conservadora tenta nos enfiar goela abaixo com o apoio de instituições e setores da economia, política, judiciário e midiático que manipulam e maquiam dados e informações a fim de apagar as inúmeras vozes que se insurgiram contra a onda fascista. Mas, sobretudo, buscam fragilizar o campo político democrático de esquerda que propõe medidas contra a regressão de direitos e dar sustentação à nossa frágil democracia. Sim, porque o que está posto no debate político é a existência da democracia, mesmo com todos os seus limites.

O que está em jogo desde o golpe de 2016 é a luta entre projetos políticos que são opostos – democracia ou barbárie? São campos diametralmente colidentes e é sobre este debate, muitas vezes apagado, subsumido, nas reflexões em meio ao ódio partidário e à esquerda, que precisamos dialogar. É preciso tirar o véu, porque o que está em disputa é a construção e fortalecimento de um padrão ético-político que considere os valores e princípios democráticos, solidários e de respeito à humanidade, diversidade e liberdade, que se afirme diante da crescente mercantilização da vida e do apagamento da força política dos sujeitos coletivos em resistência.

Este momento que vai da “lama ao caos” exige de nós reflexão e ação coletiva, uma recomposição das energias, como o ato de resistência no final primaveril de setembro. O resultado das urnas nos levará sempre ao front da resistência porque frente ao conservadorismo econômico, político e cultural nos resta a luta pela radicalização da democracia, que implica uma democratização do sistema político e da vida social.