8M Vamos fazer a rebelião Feminista pela vida das mulheres!

Por Analba Brazão, antropóloga e educadora do Instituto Feminista para a Democracia SOS Corpo

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É  pela Vida das mulheres!
Nem um Direito a menos!

Depois de um grande e longo processo de articulação local, nacional e internacional, chegou o grande dia. O dia de luta feminista que articula as mulheres do mundo inteiro:  Paralisação internacional das Mulheres.

Não foi fácil construir coletivamente, mas o projeto político feminista de transformação é mais forte e assim vamos construindo, discordando, debatendo, fazendo acordos, consensuando às vezes com muito dificuldade, num esforço é enorme, porque a luta também é enorme!

No Brasil estaremos organizadas em torno de 20  estados brasileiros e em mais de 50 cidades – no campo, nas cidades urbanas e nos territórios indígenas e quilombolas. Somos mulheres das águas e da terra. Somos negras, lésbicas, indígenas, quilombolas, urbanas, prostitutas, professoras, artistas, trabalhadoras informais, trabalhadoras domésticas e trabalhadoras de diversas profissões  e estaremos em todos os cantos, em todos os lugares, com grandes mobilizações ou com ações pequenas de acordo com a nossa capacidade. Mesmo as que não vão poder estar nas ruas também vão estar conectadas de onde estiverem com esta energia feminista. A energia das mulheres se conecta, uma luta por todas, todas lutam por uma e por todas nós e, assim, movemos o mundo. E seguimos em luta em cada lugar de acordo com nosso contexto, pois o contexto é SOBERANO. Na maioria das articulações locais que estão vinculadas à articulação nacional para o 8 de março de  2018 – Paralisação das mulheres Brasileiras, o lema “É PELA VIDA DAS MULHERES!” lidera uma série de subtemas de lutas feministas que se vinculam à essa causa nacional.

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É pela vida das mulheres que estaremos nas ruas, que faremos intervenções, que em alguns lugares serão realizadas paralisações, que se está fazendo ocupações, é pela vida das mulheres que estamos nos rebelando! Nos rebelamos em casa, no trabalho e na rua! Lutamos pelo fim do racismo, do patriarcado e do capitalismo. As lutas são plurais. Os temas que tem aparecido com mais força  nos estados tem sido a luta contra a reforma da previdência, pela legalização do Aborto, contra a precarização do trabalho das mulheres, pela Democracia e contra a intervenção militar, contra o genocídio do povo negro e, praticamente em todos os estados, a luta contra todas as formas de violência contra as mulheres e contra o feminicídio.

Estarmos também na articulação internacional do 8 de março nos ajudou a ter uma visão geral da movimentação na América Latina. Muitas também são as reivindicações, muito grande também tem sido o esforço de se solidarizar com a luta feminista internacional e potencializar tudo que está acontecendo e sendo feito – não importa se é de uma cidade pequena, ou uma grande cidade. Não importa se é uma cidade  que mobilizou apenas 100 mulheres ou se é uma cidade que consegue levar mil mulheres para a assembleia de preparação.

Não importa a diversidade de movimentos que estão na construção: o esforço tem sido de contemplar as múltiplas idéias que chegam ao grupo, o objetivo é construir juntas e divulgar o que está sendo feito pelas mulheres  todos os locais. O que importa é fazer a conexão, é dizer que, mesmo com todas as diferenças de contexto, de lutas, de organização, estamos conectadas com a construção de uma força política feminista internacional… – local – nacional – internacional, sem importar a ordem, não impondo hierarquia entre instâncias, pessoas ou bandeiras de luta. O que importa são os aprendizados que ficam e que saldo organizativo para todos os movimentos feministas.. Porque o 8 de março é um dia de luta. Não somente neste dia, mas todos os outros dias do ano, nós, mulheres, estamos lutando. Não damos trégua. E a oportunidade que temos para construir juntas uma rebelião feminista é agora em que estamos pensando na transformação, pensando num mundo justo para todas e todos.  

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Quando dizemos que vamos fazer o mundo tremer, não é simbologia, é real. Este ano, 57 países do mundo estarão conectados no dia 8 de março. E estão conectados para lutar contra todas as opressões que nós mulheres sofremos. Que movimento consegue um feito desse? De mulheres se conectarem em todas as partes do mundo em torno de uma luta?  Só o feminismo.

 

Por isso que gritamos
FEMINISMO É REVOLUÇÃO!