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“25 de novembro: mais uma vez ocupando avenidas, ruas e praças expressando nossa indignação”

Por Simone Ferreira*

claudia_-_deixa_eu_dizerAno passado, inspiradas e instigadas pela letra da música “Deixa eu dizer”, interpretada por Claúdia, militantes do Fórum de Mulheres de Pernambuco ocuparam bairros, comunidades, terminais de ônibus, metrô, unidade de saúde, escolas. Inspiradas e Instigadas pelo verso “Deixa eu dizer o que penso dessa vida, preciso demais desabafar” conversavam com as mulheres sobre quais problemas estavam mais presentes nas suas vidas.

A violência contra as mulheres foi desabafo geral. Na verdade, não diria que seria desabafo, mas uma explosão de falas aflitas diante de uma problemática que se expressa de diversas formas no cotidiano, muitas vezes visíveis em seus corpos, mas pouco enfrentada nas políticas públicas.

Há uma expressão machista que diz: “as mulheres falam demais”, revelando que há resistência em nos ouvir, principalmente nossos apelos pelo fim da violência. Mesmo diante de uma surdez insistente não nos calaremos, até porque perguntamos: como podemos calar diante de algumas situações que insistem e persistem em nos oprimir, explorar, ofender e submeter?

Não dá para ficar calada diante de um Projeto Lei/PL 5069 do deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro, Eduardo Cunha, que retoma a necessidade de realizar o exame de corpo de delito para comprovar a violência sexual antes do atendimento médico, além de retirar do atendimento obrigatório o acesso à pílula do dia seguinte.

loucasMataSul_megafoneÉ impossível silenciar diante dos casos de Violência Contra as Mulheres do estado de Pernambuco, que segundo os dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) revelam que no período de 2003 a setembro de 2015 houve 1.177 internações de mulheres por agressão, e que as regiões Metropolitana e Sertão representam 80% desse total. Este ano, até o mês de setembro, foram contabilizadas 88 internações por agressão, dessas quase 60% foram mulheres negras.

O Sistema de Informações de Mortalidade(SIM) registrou 3.012 mortes por violência no Pernambuco, no período de 2003-2013, tendo a região metropolitana, agreste e zona da mata. As mulheres negras representam a maioria dos óbitos: 81%. Diante dessa informação se confirma que as mulheres negras são mais vulneráveis em nosso estado.

Este ano, persiste na conjuntura a retirada de direitos para as mulheres por meio de diversas estratégias políticas ancoradas no machismo, no racismo e fortalecidas pelo fundamentalismo religioso. Também não podemos deixar de citar o descompromisso por parte dos governos com as políticas públicas para mulheres, em especial para o enfrentamento à violência contra as mulheres.

Sendo assim, hoje, 25 de novembro, estamos mais uma vez ocupando avenidas, ruas e praças expressando nossa indignação frente a tudo e todos que ameaçam e violam nossas vidas, e sempre falando sobre o que achamos dessa vida, não apenas como desabafo, mas como forma de fazer justiça às mulheres que foram assassinadas, como forma de nos mantermos vivas e reafirmando que ninguém tem o direito de calar a nossa boca. Sendo assim, seguiremos GRITANDO!

PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES!

POR MIM, POR NÓS E PELAS OUTRAS!

FORA CUNHA!

FEMINISTAS CONTRA O MACHISMO!

FEMINISTAS CONTRA O RACISMO!

FEMINISTAS CONTRA O CAPITAL!

*Simone Ferreira é educadora do SOS CORPO e cientista social. 

Foto 2: Loucas da Mata Sul