8M | Feministas da Clacso contra os ataques fundamentalistas e os retrocessos sociais

 

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Frente ao ataque fundamentalista e os retrocessos de nossa região
nos opomos com a vitalidade das lutas feministas

A expansão e atualidade do pensamento feminista em escala global é, sem dúvida, um dos signos deste tempo. Seus alcances inéditos dão conta de lutas de longa data, de realizações e saltos qualitativos conseguidos com tenacidade e imaginação, mas expressão também a necessidade compartilhada pela maioria de mulheres de fazer frente a formas novas e persistentes de dominação e injustiça de gênero, a uma contraofensiva reacionária que põe em risco os avanços já conseguidos e o êxito das transformações pendentes para nós e nossas sociedades.

Por isso, este novo Dia Internacional das Mulheres nos desafia desde uma realidade contraditória, desde a complexidade marcada pelas mudanças conseguidas até a igualdade, pela convergência de movimentos em torno de causas como a erradicação da violência machista e, ao mesmo tempo, pela ascensão de forças reacionárias alimentadas pelo neoliberalismo patriarcal dominante, pela implantação de agendas, ações e discursos que combinam anti valores de individualismo egoísta, competência, intolerância e autoritarismo social e de mercado.

Em nossa região forças reacionárias de velha e nova criação tem conseguido ascender a governar seja por vias autoritárias e golpistas ou por eleições enganosas e pseudo-democráticas. Estamos assistindo ao acelerado corte de direitos econômicos, políticos, sociais e culturais de amplos setores sociais, cuja ampliação foi conseguida nas ultimas décadas no marco de projetos democráticos e progressistas.

A liderança das mulheres, muitas indígenas e camponesas da área rural, na defesa de seus territórios e de recursos vitais como a água, estão sendo criminalizadas. Os interesses do capital global arrasam com formas de vida ancestrais e colocam em risco a sobrevivência dos povos e comunidades  ao longo e largo da Latino América.

A reposição conservadora em marcha atingiu o pico de ideias claramente fundamentalistas e defensoras do capital patriarcal. Manipula o tempo da família, que na região é o centro da vida social e econômica, e projeta falsos perigos contra sua coesão, como a mal chamada “ideologia de gênero”, a qual buscam destruir. A aceitação da diversidade sexual, a desconstrução da relação sexo-gênero, a autonomia corporal das mulheres, os direitos sexuais e os direitos reprodutivos, tal como defendem os movimentos feministas passam cada vez mais a ser considerados “ameaças” que devem ser banidas.

Atualmente se tem aprofundado as ideias que justificam um ordenamento social hierarquizado, inclusive como motor do suposto desenvolvimento e uma economia exitosa. E essa ordem se impõe mais e melhor se os corpos das mulheres, sobre todo os corpos das mais pobres, negras, indígenas e camponesas, são instrumentos de produção e reprodução domesticados. A violência contra as mulheres é um instrumento disciplinador que se faz mais truculento na medida em que lutamos mais claramente por nossa emancipação.

O patriarcado sempre tem sido um privilegiado aliado científico, acadêmico, cultural e material da exploração capitalista, que naturaliza a discriminação e a desigualdade, tão útil à acumulação e desumanização.

Mas frente a estas forças reacionárias, que pretendem ser hegemônicas, os movimentos feministas estão mais vitais, e mais consolidados em nossas lutas.

Temos assistido nos últimos anos a grandes mobilizações com nossas bandeiras, afrontamos os desafios de nosso tempo histórico, não abandonamos a pedagogia da igualdade e liberdade. Nossa rebeldia garantia de justiça e amplitude, nossas propostas constroem as alternativas civilizatórias que necessitam a humanidade. Cada vez somos mais, estamos mais organizadas e temos uma voz mais clara e contundente. Não deixaremos a denúncia nem a luta em pró da construção das liberdades sociais.

#NOSOTRASPARAMOS

Grupo de Trabalho: Feminismos, resistencias y procesos emancipatorios 
Género, (des)igualdades y derechos en tensión
GT Epistemologías del Sur
GT Familias, géneros y diversidades
GT Afrodescendencias y propuestas contrahegemónicas
GT Economía Feminista
GT Cuerpos, territorios y feminismos

Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales (CLACSO)